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A nudez dos preconceitos: O que aprendemos e evoluímos entre STDS e SPS?

por João Monteiro
jornalista e coordenador do Laboratório de Inclusão

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Diante de tantos redesenhos, mudanças de gestões e governos, o Laboratório de Inclusão sobrevive e resiste, nesses 28 anos, enfrentando o seu maior vilão: o preconceito. Este texto foi escrito e publicado em 2011, com o título original, “A nudez dos preconceitos. ‘O João está lá, com um bando de cegos e aleijados’”. Agora republicamos, como outra reflexão, de memórias e conquistas, em um momento de crise política e ideológica no Brasil.

Os estudos referentes às origens e consequências dos preconceitos humanos reforçam a ideia de uma sociedade doente, incoerente, desigual, violenta e preconceituosa. Pensando na diversidade dos preconceitos, desde o deficientismo, racismo, xenofobia, homofobia… Observa-se que as expressões humanas vêm dos próprios sentimentos, das sensações, das atitudes, das escolhas, dos modelos criados e propagados ao longo da nossa História.

O preconceito se estabelece como forma de sentimento ou prática rotineira. Pessoas preconceituosas têm a convicção de que as pessoas com deficiência são espécie inferiorizada. Entre ser inferiorizada e ser inferior existe uma diferença de interpretação e significado, mas consequências das desigualdades sociais. Pelo preconceito, as pessoas com deficiência devem ser tratadas como inferiores e inferiorizadas. Este tratamento, promovido pelo sentimento do preconceito, retrata uma condição de comportamento de não aceitar as diferenças como características humanas, ou a aceitação dos modelos pré-estabelecidos de ser humano perfeito. As teorias de perfeição já causaram grandes estragos na humanidade. O modelo de ser humano perfeito envolve um corpo perfeito, beleza facial, que podem também serem anexados a outras exigências como as condições financeiras ou status social.

A vulgarização da dita perfeição humana, como apoio de sustentação dos preconceitos, torna possível a teoria de que a sociedade precisa de mais equilíbrio do que de perfeição. Promovemos a inclusão de uma pessoa com deficiência pelo equilíbrio, pelo combate às desigualdades sociais, às deturpações de valores. É o equilíbrio que pode promover a aceitação das diferenças humanas como essenciais evolução e não a perfeição.

Com a formação do Grupo de estudos e Apoio à Acessibilidade Humana, em 2004, não foi difícil detectar os focos de preconceitos dentro e fora da ex-Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social – STDS (atual Secretaria de Proteção Social, Justiça, Mulheres e Direitos Humanos – SPS). Ficou claro também, nas avaliações das pesquisas, que nenhuma pessoa observada e entrevistada admitiu ter preconceito, mas nas atitudes do dia a dia não tiveram dificuldades de expressar essa ação.

As expressões humanas envolvem também a dualidade de atitudes. Quando deparamos com atitudes de preconceito, essa dualidade é claramente visível. Em 28 anos estudando e combatendo preconceitos, muitos exemplos de atitudes preconceituosas foram colhidas pelo Laboratório e serviram de material de estudos. Um dos casos mais famosos aconteceu em 2007. Em uma das reuniões do Grupo de Acessibilidade foram convidados alguns gestores para participarem de uma discussão sobre empregabilidade de pessoas com deficiência. Marcamos a reunião com um mês de antecedência, com horário de início para às 13h. Esperamos até 14:30h e nenhum dos convidados apareceu. Resolvemos ligar para saber o motivo das ausências, quando uma das secretárias comunicou que os gestores estavam em um evento muito importante. Reclamei que deveriam ter avisado e que muita gente estava esperando aquela reunião, pessoas com todas as deficiências e tiveram dificuldades de se deslocar até a Secretaria. Foi quando a secretária, que displicentemente não tampou a entrada de voz do telefone, proferiu a seguinte frase: “O João está lá, com um bando de cegos e aleijados”. Aproveitamos o momento da reunião e a ausência dos gestores e colocamos a referida frase como objeto de estudos do Grupo de Acessibilidade.

Passaram-se sete anos desde o lançamento do Projeto de Acessibilidade em 2004, que antecedeu a criação do Laboratório de Inclusão da STDS (atual SPS). Todas as deficiências foram incluídas, em todas as funções, como previa o Projeto de Inclusão Qualitativa. Assistimos a uma apresentação de balé de cadeiras de rodas. Foi emocionante ver aquelas meninas em suas cadeiras de rodas em cenas fortes de dedicação, arte e superação. No trabalho de inclusão de pessoas com deficiência é essencial conservar e evoluir o nível de emoções dos sentimentos de simplicidade e generosidade. Naquele momento, novamente, escutamos a voz dos preconceitos: “Onde tu vê dança e arte nestas meninas aleijadas?” vindas de uma das pessoas estudadas e observadas pelo Laboratório de Inclusão, desde 2004. Mesmo com tantos momentos ricos de vivências, cursos de conscientização, apresentações, seminários e o convívio com trabalhadores com suas diferenças, não foi possível mudar aquela pessoa e tantas outras que continuam expressando em suas palavras e ações a violência dos preconceitos. Surge então a pergunta: Preconceito tem cura?

Em destaque, para reflexão, a relação de algumas frases pronunciadas no período de implantação do projeto de Inclusão Qualitativa, que serviram para diagnosticar focos de resistência à inclusão de pessoas com deficiência: “Você está louco em colocar uma estudante de serviço social cega para estagiar! Como ela vai fazer estudo de caso ou visita domiciliar?”; “Além de cego, é aleijado!”; “Como colocar um lesado para trabalhar na cozinha?”; “Como você vai conseguir trabalhar com velhos, mijados, cagados e fedorentos?”; “Ainda bem que aquela cadeirante é bonitinha.”; “Minha filha não é deficiente, é inteligente.”; “Estes deficientes só chegaram para atrapalhar.”; “Mande apenas pessoas com deficiência leve. Não pode ser cadeirante, cego, surdo… Temos que cumprir a cota”.

Quando eu chegava com o Grupo de Acessibilidade, das apresentações externas, alguém comentava: “Lá vem o aleijado com os aleijados dele”. Todos os autores destas frases foram identificados para serem estudados pelo Laboratório de Inclusão.

Lembro das palavras da ex-deputada e Juíza Denise Frossard, em 2006, ao rejeitar o projeto de lei que considera crime discriminar deficientes físicos: “A deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros, uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante, ainda que o suporte seja uma criatura humana.”

O enfrentamento e o convívio com o preconceito, por parte das pessoas com deficiência, envolve um nível de aceitação e consciência de acordo com as memórias de cada um. Como somos diferentes, temos formas de expressões e reações diferentes. Alguns pontos se tornam essenciais ao enfrentamento dos preconceitos humanos: 1. Assumir a própria deficiência sem medo e vergonha. 2. Entender que a deficiência do preconceito é bem maior e pior que a sua. 3. A deficiência ou diferença é uma característica humana. 4. A aceitação de si mesmo deve ser mais forte do que o preconceito. 5. Não permita que as pessoas com preconceito impeçam você de viver. A vida é sua e você deve vivê-la com dignidade e liberdade.

Por uma pessoa ter uma deficiência não significa não ser preconceituosa. A característica de ser preconceituosa está ligada à condição do próprio comportamento, do que aprendeu como valores sociais, dentro de sua trajetória de vida. Uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, pode ser racista mesmo sem poder enxergar a cor da pele de uma outra pessoa, basta saber que aquela pessoa é negra para expressar sua condição de racista. Qualquer tipo de deficiência ou diferença pode se incorporar à uma condição de ser preconceituoso.

No processo de inclusão das pessoas com deficiência identificamos dois pontos que podem ajudar e organizar as estratégias de combate aos preconceitos, na sustentabilidade de projetos, seus parceiros e seus adversários. 1. O preconceito cresce ou se expande quando deixamos ele se expressar sem contestação. 2. Quando identificamos oficialmente o foco ou as pessoas com preconceito, ele se retrai ou se torna vulnerável.

Em um dos encontros do Grupo de Acessibilidade, foi feito uma pergunta aos participantes, todos com um tipo de deficiência: “Você é capaz de identificar nominalmente as pessoas que lhe tratam com preconceito, dentro da família, entre os amigos, na escola ou faculdade e no ambiente de trabalho?” A resposta um unânime “sim”. Tudo fica mais compreensível quando sentimos na própria pele.

A neutralização dos focos de preconceito não identifica a sua eliminação, por que é temporário, como um silêncio aparente. Muitas pessoas estudadas e pesquisadas pelo Laboratório de Inclusão tiveram vergonha de admitir serem preconceituosas, mas tiveram facilidades em expressar o preconceito, através de atitudes de indiferença e exclusão. Acham “bonitinhas” as pessoas com Síndrome Down, ou sentem pena. Outro dia incluímos um trabalhador com Síndrome de Down como auxiliar de lanchonete. Ele fazia entregas nas salas. Uma funcionária comentou com a equipe do Laboratório: “Achei lindo aquele menino com Síndrome de Down fazendo entregas nas salas”. Perguntei se ela aceitaria um adolescente com a mesma síndrome como estagiário em seu setor. Foi quando ela respondeu com rapidez: “Vixe, lá na nossa sala? É complicado, não temos tempo de acompanhar, acho melhor você procurar outro setor…”

Passei três anos me comunicando profissionalmente com uma gestora de outra secretaria por telefone. Ela sempre me tratava bem, tirando dúvidas, facilitando os trabalhos. Mas, um dia, participamos de uma mesma reunião e ela me viu andando com as sequelas de poliomielite. A partir daquele momento ela passou a me tratar com indiferença, às vezes com grosserias ou irritabilidade.

É preciso entender o que se passa na mente, no sentimento da pessoa que pratica o preconceito. As pessoas observadas pelo Laboratório, com verbalizações a atitudes de preconceito, foram relacionadas e são acompanhadas e avaliadas como objetos de estudos na elaboração de estratégias de combate aos preconceitos. Constatamos que elas não mantêm um bom relacionamento interpessoal, nem no ambiente profissional nem no familiar. Relatamos que elas expressam arrogância e autossuficiência, agressividade nas palavras e, dependendo das características e nível dos sentimentos, podem ser agressivas fisicamente, o que é mais comum na homofobia.

O Laboratório de Inclusão é rotulado pelas interpretações externas, com uma carga forte de preconceitos, por representar os níveis inversos do padrão exigido de “perfeição” humana. Estas interpretações atingem, muitas vezes, alguns projetos que poderiam ter um tempo de resultados bem mais curto. O preconceito velado, que se esconde por trás do artificialismo do comportamento, carrega uma disfuncionalidade capaz de retardar a evolução de muitos projetos, danificando, irreversivelmente, destinos humanos.

Nos estudos do Laboratório verificamos a diversidade dos preconceitos. Uma pessoa é submetida a várias avaliações: O formato de seu corpo, a maneira de andar, o tom da voz, a textura da pele, o tipo de cabelo, a fisionomia do rosto, a maneira de se vestir, a maneira com que fala, se perdeu algum sentido (visão, audição, mobilidade, cognitivo)… são as existências do padrão do ser humano perfeito. A valorização da aparência ou mobilidade de um corpo humano reflete as simbologias criadas como modelos de perfeição.

Ter preconceito é também uma característica humana neste modelo de sociedade que vivemos, como também ter uma deficiência. Como são opostos, ter uma deficiência não impede nem o homem nem o mundo de evoluírem, mas o preconceito retarda a evolução da vida, como elemento destruidor e desnecessário. Assim, dentro da ideia do surgimento e desenvolvimento de um novo modelo de sociedade, poderiam considerar “deficiências humanas” apenas de comportamentos preconceituosos e violentos.

Na inclusão de pessoas com deficiência avaliamos as pessoas com preconceito em três categorias: Aqueles que assumem abertamente ser preconceituosos; Aqueles que não assumem ser preconceituosas, mas expressam com facilidades ter preconceito; Aqueles que têm pena de quem tem deficiência, mas mantém a convicção de que eles são inferiores.

Ser preconceituoso pode até não ter cura, em alguns casos, mesmo com a ajuda da ciência, mas temos que pensar em outro tipo de ser humano, de sociedade, começando por nós mesmos, multiplicando a ideia de um mundo onde a diversidade humana possa conviver em harmonia. Isto vai ser possível um dia? É bom começar não tendo medo de enfrentar os vilões que mantêm as invisibilidades humanas…

“Lá vem o aleijado com os aleijados dele”.

por João Monteiro
jornalista e coordenador do Laboratório de Inclusão

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Esta frase do título deste texto foi dita por uma funcionária da STDS, quando eu ia chegando de uma apresentação externa, com o Grupo de Acessibilidade, na sede da Secretaria. Uma frase forte, mas não foi suficiente para impedir que os projetos de inclusão de pessoas com deficiência e vulnerabilidade social fossem desenvolvidos com sucesso. O preconceito pode ser forte, mas, para combatê-lo, é preciso ser mais forte do que ele.

A inclusão de pessoas com deficiência, na STDS, teve início oficialmente em 2004, com a criação do Grupo de Acessibilidade. Um projeto que preenchia as cotas de pessoas com deficiência, nas vagas de colaboradores terceirizados. Um momento de muitos estudos, principalmente na observação do público interno, para saber os níveis de preconceitos e como seriam efetuadas as inclusões.

Na época, foi formado um grupo de estudos, interdisciplinar, com a participação de técnicos da STDS, estagiários universitários e algumas universidades conveniadas. Foi um ano de muitos estudos e pesquisas. Uma preparação do ambiente interno para a inclusão de 50 trabalhadores, com todas as deficiências e em todas as funções da STDS.

Identificamos, nos estudos e observações, 50 pessoas na STDS com níveis de preconceitos elevados, suas lotações e funções. Eram funcionários e alguns gestores. Conhecer e entender o ambiente físico e humano da STDS foi fundamental para o sucesso do preenchimento das vagas. Chegamos a incluir 107 pessoas com deficiências na STDS, entre estudantes universitários, estagiários do Projeto Primeiro Passo e colaboradores. Foi um processo seletivo rigoroso, mas, com o conhecimento interno, as lotações foram realizadas com muito planejamento.

O preconceito foi, e ainda é, a maior barreira na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Na época de 2004, concluímos que seria demorado e complexo tentar mudar a cabeça das pessoas identificadas resistentes às inclusões dentro da STDS. Então, resolvemos planejar neutralizá-las. Como foi possível?! A estratégia foi a criação de um Laboratório de Inclusão, dentro da STDS, que desenvolvesse projetos fortes e consistentes de inclusão de pessoas com deficiência e vulnerabilidade social. As pessoas identificadas como preconceituosas seriam neutralizadas com as práticas constantes de combate aos preconceitos, através de grupos de estudos, oficinas e conscientização da importância do convívio harmonioso com a diversidade humana e aumento dos níveis de relacionamentos interpessoais.

Quando neutralizamos o preconceito, ele não deixa de existir, apenas fica velado, escondido, aparentemente silencioso, principalmente dentro do ambiente de trabalho. Ninguém vai ter a coragem de oficializar ser racista, homofóbico ou ter preconceito contra pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. Preconceito velado é difícil de combater e identificar, porque, quem tem, diz que não tem. Mas como a neutralização provoca medo em quem tem preconceito, ele se torna fraco o suficiente para que as inclusões sociais possam se realizar sem interferências relevantes.

Hoje, depois de 14 anos, uma parte destas 50 pessoas já se aposentou, mas o preconceito não acabou, nem diminuiu. Não é um problema exclusivo da STDS, mas de todo o Brasil. É visível as expressões de racismo, homofobia e sexismo nas redes sociais. O preconceito contra pessoas com deficiência carrega pena, nojo, fragilidade e inferioridade; uma cultura nociva à evolução humana. Lembro do parecer e definição preconceituosa e violenta, nas palavras da ex-deputada e juíza Denise Frossad, sobre pessoas com deficiência: “A deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros, uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante, ainda que o suporte seja uma criatura humana”. Palavras fortes que definem a estrutura regressiva, forte e cruel de um preconceito.

O Laboratório de Inclusão sobrevive, dentro de uma secretaria pública, que, como tantas outras, são reflexo de um país onde as práticas de preconceitos não dão trégua. É uma luta que parece não ter fim. Sabemos que foram muitas conquistas, muitos destinos evoluídos, mas o que preocupa, é que, mesmo com tantos avanços, projetos implantados, e tantas pessoas incluídas, as práticas de preconceitos não diminuíram, como uma praga que passa de geração a geração.

Com o aumento dos preconceitos, aumentam também as dificuldades de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, afetando diretamente, todas as práticas de políticas públicas direcionadas a inclusão social. A crise política é também uma crise de caráter, de cultura e de educação. Difícil tentar mudar uma STDS, se o país também não muda, as pessoas não melhoram, a vida não melhora. É como passar horas construindo um castelo de areia, e alguém passa e chuta destruindo, então você tem que começar tudo de novo.

Estudar a personalidade de uma pessoa que tem ódio às outras, por terem uma deficiência ou serem diferentes, é um trabalho longo e, muitas vezes, desgastante. Mas precisamos continuar fortes, sem medo e tentado não desistir. Desistir é como morrer ou matar um sonho, uma luta ou muitas vidas…

Laboratório de Inclusão abre processo contra a desembargadora Marilia de Castro Neves Vieira

protesto

O Laboratório de Inclusão, da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Governo do Estado do Ceará, abriu processo contra a desembargadora Marília de Castro Neves Vieira pela postagem, nas redes sociais, questionando o trabalho da professora Débora Seabra, com síndrome de Down, em mensagem carregada de preconceitos. As ofensas vão de encontro com os projetos de inclusão social de pessoas com síndrome de Down, deste Laboratório, como parte indispensável na evolução das políticas públicas do Estado do Ceará. Um momento em que todos os grupos e entidades que lutam por uma sociedade inclusiva devem se unir para protestar e cobrar do poder judiciário brasileiro uma coerência e justiça, no sentido de condenação criminal e perda de cargo público da referida desembargadora. Segue abaixo textos de protesto dos nossos parceiros:

 

depoimento carol

Caroline Frota, pessoa com síndrome de Down incluída no mercado de trabalho há oito anos pelo Laboratório de Inclusão.

“O preconceito é um sentimento forte, que destrói a capacidade da consciência humana de empatia, de compreensão e solidariedade… A desembargadora Marília deveria perder a função… Ser apenas afastada seria um prêmio ao preconceito.”
João Monteiro Vasconcelos, coordenador do Laboratório de Inclusão da STDS.

“Em plena era da informação compartilhada, do avanço científico e tecnológico e da expansão plena dos Direitos Humanos, qualquer expressão de ofensa a minorias sociais soa não somente como ignorância (no mais amplo sentido), mas também como perversão, maldade e pura pequenez digna de raras (ainda bem!) mentes resistentes à evolução, intelectualização e ao século XXI. Pessoas como Marília de Castro Neves Vieira são não somente tudo isso já citado, mas também representam o desespero de um pensamento tacanho que tem dias contados para o fim, e veem, em últimos suspiros, suas ideologias chegarem ao fiasco.”
Artur Mendonza, estudante de Psicologia do Centro Universitário Estácio de Sá e assistente técnico do Laboratório de Inclusão.

“São tempos difíceis, em que anseio por uma boa notícia e eis que abro meu Facebook e vejo um novo escândalo viralizado: a desembargadora Marília de Castro Neves Vieira ofende uma mulher com Síndrome de Down. Isso mesmo, a mesma magistrada que acusou Marielle Franco de estar envolvida com bandidos, achou um absurdo que o Brasil seja o primeiro país a ter uma professora com Down. Nunca chegarei à nobreza da resposta da educadora, mas posso dizer que absurdo é essa senhora estar num cargo tão alto, tendo tanto preconceito dentro de si.”
Dani Cardoso, estudante de Letras da Universidade Estadual do Ceará e estagiária do Laboratório de Inclusão da STDS.

“Lamentável! Julgar pessoas sem enxergar as potencialidades das mesmas, isto é praticar abertamente ações preconceituosas de caráter discriminatório. Então, senhores, senhoras, Vossa Senhoria, Vossa Excelência, vocês tem a capacidade de respeitarem as diversidades humanas? Caso isto não ocorra, não tem sentido ocupar simbolicamente “um cargo representativo”! Lutamos por uma sociedade digna, sobretudo, atuante em acessibilidade atitudinal. Sociedade brasileira, vamos conhecer e compreender o processo de inclusão com seriedade e compromisso, para combatermos, com ações efetivas, as barreiras do preconceito.”
Leidiane Costa, pedagoga técnica do Laboratório de Inclusão.

“O discurso da Marília Castro Neves é mais uma prova do quanto é importante e necessário a inclusão de discentes e docentes com deficiência as escolas, para a desmistificação de estigmas sociais e para a disseminação dos saberes básicos da educação.”
Luiz Curci, estudante de Psicologia da Faculdade Maurício de Nassau e estagiário de Psicologia do Laboratório de Inclusão.

“Nós, do grupo de Acessibilidade Humana do Laboratório de Inclusão (setor da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social – STDS, do Governo do Estado do Ceará), repudiamos totalmente a atitude preconceituosa da desembargadora Marília de Castro Neves Vieira dirigida à professora Débora Seabra, em razão de sua condição de pessoa com Síndrome de Down. De fato, o Estado, como o principal assegurador da efetivação dos direitos das pessoas com deficiência, deve ter em seus representantes um posicionamento ético e respeitoso a todas as pessoas, incondicionalmente. Todavia, apesar de seu cargo jurídico, sabe-se, com muito pesar, que a desembargadora Marilia de Castro Neves Vieira foi contra os princípios apresentados na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015). De acordo com o Estatuto da Pessoa com Deficiência, é considerada discriminação toda forma de distinção, restrição ou exclusão que tenha o propósito ou efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos, conforme o Artigo 4 da legislação em questão, em seu primeiro parágrafo. Neste caso, houve discriminação vocacional à professora auxiliar Débora Seabra. Sob esse viés, segundo o Artigo 5, sabe-se que: ‘A pessoa com deficiência será protegida de toda forma de negligência, discriminação, crueldade, opressão e tratamento desumano ou degradante.’ E dos crimes e infrações administrativas, de acordo com o Artigo 88, ‘a prática, a indução ou a incitação de discriminação de pessoa em razão de sua deficiência impõe pena – reclusão de um a três anos, e multa.’ Por esse motivo, o Grupo de Acessibilidade Humana, como parte do Laboratório de Inclusão, se solidariza com a professora Débora Seabra e sugere medidas firmes para a exoneração do cargo da desembargadora Marilia Castro.”
Grupo de Acessibilidade Humana, do Laboratório de Inclusão da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Governo do Estado do Ceará.

“O grupo Empoderamento Down, de Fortaleza/CE, repudia a atitude preconceituosa e discriminatória às pessoas com Síndrome de Down, perpetrada pela Desembargadora Marília de Castro Neves Vieira, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, às pessoas com síndrome de Down. A referida desembargadora deve ser afastada de suas funções por ferir a integridade das pessoas com deficiência, em especial, a uma professora com síndrome de Down, Débora Seabra. Repudiamos qualquer ato de preconceito e concordamos que atitudes como estas não devem passar impunes.”
Grupo Empoderamento Down.

“É triste ouvir de quem deveria combater o preconceito uma atitude tão preconceituosa. Cara desembargadora Marilia de Castro Neves Vieira, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, saiba que, quando nasce uma criança com síndrome de Down, nasce também infinitas possibilidades, inclusive de exercer essa linda missão de ensinar não só a ler, como respeitar e abraçar as diferenças. Ensinamentos que, com certeza, foram passados para a cara desembargadora, mas, infelizmente, não foi assimilado.”
Shirley Chaves, Grupo Fortaleza Down.

“Não há nada mais repugnante que o preconceito e a ignorância. Nossa sociedade não deve ficar omissa diante de total brutalidade, arrogância e discriminação. Devemos combater e extinguir atos e pensamentos excludentes, vermifugar os vermes da sociedade, para que possamos viver em um mundo mais justo, igualitário e diversificado, onde todos possam ser iguais em suas diferenças”.
Renata Daniela Barros, terapeuta ocupacional da APAE Fortaleza.

“Apuro os ouvidos e ouço a pérola: ‘o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de down! Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social… Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem?’, escreveu a Desembargadora Marília. A CDPD ONU e a LBI são conhecidas por destacarem , especialmente, a ATITUDE das pessoas como uma BARREIRA que obstrui a plena existência das pessoas com deficiência. Maior que uma escada para cadeirantes ou imagens ilegíveis para a pessoa com cegueira… o PRECONCEITO é a barreira ATITUDINAL. A mais devastadora de todas e, exatamente por isso, os citados comandos legais tipificaram o PRECONCEITO COMO CRIME! O preconceito fere, anula e mata. Deixemo-lo sepultado sem chances para exumação!”
Liduina Carneiro, membro da Comissão da Defesa da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Ceará.

 

Resultado final do processo seletivo do edital 001/2017 para estágio universitário da STDS

O Laboratório de Inclusão vem a público divulgar a lista de aprovados do processo seletivo de edital 001/2017 para estágio universitário na Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social. Foram 34 estudantes aprovados dos cursos de Administração, Análise de Sistemas, Ciências Contábeis, Direito, Educação Física, Enfermagem, Fisioterapia, Pedagogia, Psicologia e Serviço Social.

Para este edital, as vagas de estágio serão destinadas às unidades Abrigo de Idosos, Abrigo Tia Júlia, ADOC, CEPID, Casas Abrigo, Casa do Caminho e na própria sede da STDS.

Os estudantes classificados deverão comparecer à reunião de convocação e encaminhamento que acontecerá nesta quinta-feira, dia 22/02, das 9h às 11h e das 14h às 16h, no Laboratório de Inclusão (Rua Soriano Albuquerque, 230 – Joaquim Távora); Os candidatos deverão se apresentar à esta reunião de acordo com o seu horário disponível para estágio, como na lista abaixo. Caso contrário, estarão sujeitos à eliminação por não comparecimento.

Mais informações nos telefones 3101-2123, 3101-4583 ou no e-mail labdeinclusao@gmail.com.

Confira abaixo o resultado final da seleção:

Lista de classificados e classificáveis do resultado final do processo seletivo edital 001/2017 de estágio universitário da STDS

Resultado da 2ª fase do processo seletivo do edital 001/2017 para estágio universitário da STDS

O Laboratório de Inclusão seleciona 81 estudantes para participar da 3ª fase do processo seletivo do edital de 001/2017 para estágio universitário da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), que irão exercer suas atividades em unidades da STDS.

Os candidatos deverão comparecer à entrevista no Laboratório de Inclusão da STDS (Rua Soriano Albuquerque, 230 – Joaquim Távora) de acordo com dia e horário divulgados na lista abaixo; caso contrário, estarão sujeitos à eliminação por não comparecimento. Mais informações nos telefones 3101-2123, 3101-4583 ou no e-mail labdeinclusao@gmail.com.

Confira aqui o resultado: Lista de aprovados 2ª fase.