Arquivo da categoria: LGBT

Minha passagem pelo Laboratório de Inclusão da STDS

por Syssa Lopes
Ex-estagiária do Laboratório de Inclusão, licenciada em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atual professora da rede de ensino público do município de Fortaleza.

logo_lab_facebook trans

“Gostaria de agradecer imensamente a esta equipe MARAVILHOSA que existe há 29 anos e se constitui resistência na inclusão de pessoas, com seu processo seletivo muito sério e rigoroso. Tive a oportunidade de ser a primeira mulher trans a trabalhar no laboratório e fiquei extremamente FELIZ em saber que também entrou um homem trans.

A equipe teve toda uma preocupação, cuidado e dedicação, antes e durante a minha participação. Se atentaram ao nome social em todos os documentos e respeitaram a minha identidade de gênero. Quando houveram questionamentos de alguns setores de uma trans estar trabalhando na STDS (Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social), logo eles fizeram uma ação de combate à transfobia.

No país que mais mata pessoas trans e no Estado que é o terceiro em números de assassinatos, incluir esse público num órgão estadual é um ato de resistência. A média de vida desse público é de 36 anos contra 73 anos do restante da população, 40 por cento dos assassinatos desse público ocorrem no Brasil.

Para as pessoas trans, muitos direitos são negados, como o acesso à saúde, trabalho e educação. Então, poder mostrar a nossa capacidade é uma grande oportunidade. Do que adianta resistir à escola e universidade se não seremos aceitos no mercado de trabalho? Por isso, o Laboratório de Inclusão está de parabéns por nos abrir as portas e mostrar que é possível sim convivermos com as diversas diferenças. Só tenho mesmo o que me orgulhar e levar esta experiência por toda minha vida.

Hoje estou formada em licenciatura de Filosofia, graduanda em Letras e pós graduanda em Língua Portuguesa e Literatura. Retifiquei nome e sexo, e estou trabalhando na rede municipal de educação de Fortaleza.

Agradeço a atenção, acompanhamento, carinho e feedbacks. Vocês nos dão um grande aprendizado de liderança, sabem motivar os colaboradores e estão sempre abertos a nos ouvir. Sem mais, PARABÉNS equipe.”

 

Homossexualidade e caráter

por Danielle Cardoso
estagiária de Letras do Laboratório de Inclusão

lil

Em pleno 2018, algumas pessoas ainda seguem acreditando que a sexualidade de alguém tem relação com seu caráter. Cria-se um mundo dualista onde, se a pessoa é hétero, tá tudo bem, mas, se a pessoa for homoafetiva, o apocalipse tá feito. Não tem meio termo e não há misturas. Na cabeça de muita gente, pessoas são postas em caixinhas e, se estou na caixinha A, não posso estar na caixinha B. O que essas pessoas não querem enxergar é que o mundo é muito mais dinâmico do que elas imaginam.

Entender que as coisas não são apenas pretas ou brancas é difícil mesmo, mas faz parte da evolução humana. Eis o mundo e ele é feito com todas as cores, cheiros, sabores. Pessoas têm essências diferentes e o que as fazem humanas são os sentimentos. Estes não se pode explicar. Amamos, odiamos, rimos, choramos, sentimos saudades, ignoramos, somos simpáticos, mas também tão apáticos. Sentimento não se controla, não se reprime. Sendo assim, quem é você para dizer que amar alguém do mesmo sexo é errado?

Errado é pensar que chamar alguém de gay ou lésbica é ofensa. Obviamente, quando essas e outras palavras são usadas de forma depreciativa, ofende. No entanto, certas situações não dá para entender. Exemplo disso foi uma pessoa bem próxima a mim, ao me ver defendo o direito das pessoas de amarem quem quiserem, soltou a seguinte pérola: “Se eu não te conhecesse, diria que você era lésbica.”. Pensei em me ofender, mas, imediatamente, me veio a pergunta: “E se eu fosse?”. Mudaria meu caráter e meus ideais? Não! Faria de mim uma pessoa má? Muito menos! Tá, então, por que vou me ofender mesmo? Comecei a rir, pois já não valia a pena responder.

Sério mesmo que a sexualidade de uma pessoa te afeta? Se sim, reveja sua vida, porque tem algo errado sim, mas é com você. Homens héteros têm sua masculinidade tão frágil que basta chamá-los de gay que eles já partem para a briga. Queridos, por quê? Se você não é, não entendo a agressividade, não é assim que você vai provar o contrário. O homem que tem segurança da sua sexualidade não dá a mínima quando é chamado de gay, pois não fere sua virilidade e não pensam que gays são menos homens. Simples!

O objetivo deste texto é mostrar que respeitar não dói, aceitar não mata. O que importa realmente em alguém é o caráter e não faz diferença se esse alguém gosta de homem ou mulher. Você pode até ser contra, achar que isso tudo é pecado, mas não cabe a você julgar. Se ninguém perguntou tua opinião, fica com ela só para você e respeita os outros. Se pediram, manifeste-se sem desrespeitar ninguém. É simples também!

A comunidade LGBT merece todo o respeito, pois dá a cara à tapa e ser o que se é não é fácil. Aceitar e respeitar pessoas homoafetivas não me faz menos mulher, não me torna lésbica e outras coisas do tipo. Aceitar e respeitar me faz ser uma pessoa melhor, mais humana e evoluída. Afinal, amor é amor em qualquer circunstância, logo, se não faz mal a ninguém, não tem por que julgar, discriminar. O amor move o mundo, não importando quem se ama. Mais amor, por favor. Até a próxima!

Como conviver, entender e aceitar pessoas homossexuais

por João Monteiro
jornalista e coordenador do Laboratório de Inclusão

lgbt

Vencer os preconceitos é priorizar a necessidade da evolução humana. A criação de sociedades inclusivas pode acender a esperança de que, no futuro, teremos mais equilíbrio do que preconceitos.

O preconceito humano é diversificado, mas separar homofobia de outros tipos de preconceitos é uma grande ilusão. A diversidade faz parte da natureza humana e a melhor maneira de conviver em harmonia com pessoas homoafetivas é entender que esta diversidade é essencialmente natural, é vencer os próprios preconceitos. Ninguém escolhe ser homoafetivo para ser discriminado e odiado gratuitamente uma vida inteira. Mas ter preconceito é uma escolha que pode ser superada e desconstruída.

A desinformação e as interpretações precipitadas colaboram com a multiplicação dos preconceitos. Quando os preconceitos são permitidos nas atitudes e na construção da própria personalidade, então a lei tem que compensar e ser cumprida para amenizar os efeitos nocivos dos preconceitos. A impunidade de quem pratica preconceito colabora na manutenção e crescimento de uma sociedade conflitante. A lei não foi feita somente para punir, mas educar também na intenção de que aquela pessoa que praticou homofobia tenha a oportunidade de aprender a conviver com a diversidade humana. Nenhuma sociedade evolui cultivando e propagando preconceitos. Então a homoafetividade precisa ser entendida e aceita por uma questão de evolução social.

A homofobia sobrevive também pelo ódio e pela violência. No Brasil, a cada hora é registrado um caso de violência contra homossexuais. Os jovens são as principais vítimas, sendo agredidos ou assassinados quando identificados pela aparência. O combate à homofobia é complexo porque envolve mudanças no comportamento humano e nas culturas de exclusão. Os homossexuais ainda são uma população invisível e vulnerável à violência. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais fazem parte de uma diversidade humana. Quando são excluídos e discriminados, provocam um rompimento com o equilíbrio e harmonia social. Sociedades excludentes tendem a provocar desequilíbrio social quando rotulam pessoas e retardam a evolução humana.

A tentativa da “cura gay” é um fracasso, pois vai de encontro com a característica humana de ser diferente. Além de ser mais uma tentativa desesperada de oficializar a homofobia. A diversidade não pode ser considerada uma doença. Quando dogmas religiosos e ideologias fascistas se misturam com baixos níveis de consciência, demonstram, claramente, que esta sociedade é que está gravemente doente. É mais cômodo e, aparentemente, mais fácil conservar e criar dogmas regressivos do que promover e combater preconceitos e progredir humanamente.

Evoluímos pouquíssimo ao longo da nossa história, mesmo depois de tantas guerras e tragédias que destruíram inúmeras vidas. É claro que, este modelo de sociedade preconceituosa, excludente e violenta que se multiplicou, não tem provocado paz nem equilíbrio. Por quê? Porque comportamento e relacionamento humano em equilíbrio costumam ser deixados em segundo plano, não sendo prioridades na formação das ideologias e sociedades. Preocuparam-se mais com poderes, vaidades e egoísmos presentes nas interpretações. Quantas ideologias já foram escritas e implantadas? Várias. Mas nenhuma contemplou o essencial do convívio harmonioso que é o respeito à diversidade humana e a inclusão de suas diferenças.

A existência de homossexuais incomoda mais do que a violência? Infelizmente, sim. Quando uma cena de um casal homoafetivo se beijando choca a opinião pública de um país mais que fome, pedofilia, corrupção, estupro, racismo e assassinatos bárbaros, é um forte sinal de que este país está se preocupando mais em ter e preservar seus preconceitos e dogmas do que combatê-los. Ainda estamos muito longe da formação de uma sociedade evoluída, em equilíbrio e sem preconceitos.

Como conviver, entender e aceitar pessoas homossexuais

Vencer os preconceitos é priorizar a necessidade da evolução humana. A criação de sociedades inclusivas pode acender a esperança de que, no futuro, teremos mais equilíbrio do que preconceitos.

O preconceito humano é diversificado, mas separar homofobia de outros tipos de preconceitos é uma grande ilusão. A diversidade faz parte da natureza humana e a melhor maneira de conviver em harmonia com pessoas homoafetivas é entender que esta diversidade é essencialmente natural, é vencer os próprios preconceitos. Ninguém escolhe ser homoafetivo para ser discriminado e odiado gratuitamente uma vida inteira. Mas ter preconceito é uma escolha que pode ser superada e desconstruída.

A desinformação e as interpretações precipitadas colaboram com a multiplicação dos preconceitos. Quando os preconceitos são permitidos nas atitudes e na construção da própria personalidade, então a lei tem que compensar e ser cumprida para amenizar os efeitos nocivos dos preconceitos. A impunidade de quem pratica preconceito colabora na manutenção e crescimento de uma sociedade conflitante. A lei não foi feita somente para punir, mas educar também na intenção de que aquela pessoa que praticou homofobia tenha a oportunidade de aprender a conviver com a diversidade humana. Nenhuma sociedade evolui cultivando e propagando preconceitos. Então a  homoafetividade precisa ser entendida e aceita por uma questão de evolução social.

A homofobia sobrevive também pelo ódio e pela violência. No Brasil, a cada hora é registrado um caso de violência contra homossexuais. Os jovens são as principais vítimas, sendo agredidos ou assassinados quando identificados pela aparência. O combate à homofobia é complexo porque envolve mudanças no comportamento humano e nas culturas de exclusão. Os homossexuais ainda são uma população invisível e vulnerável à violência. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais fazem parte de uma diversidade humana. Quando são excluídos e discriminados, provocam um rompimento com o equilíbrio e harmonia social. Sociedades excludentes tendem a provocar desequilíbrio social quando rotulam pessoas e retardam a evolução humana.

A tentativa da “cura gay” é um fracasso, pois vai de encontro com a característica humana de ser diferente. Além de ser mais uma tentativa desesperada de oficializar a homofobia. A diversidade não pode ser considerada uma doença. Quando dogmas religiosos e ideologias fascistas se misturam com baixos níveis de consciência, demonstram, claramente, que esta sociedade é que está gravemente doente. É mais cômodo e, aparentemente, mais fácil conservar e criar dogmas regressivos do que promover e combater preconceitos e progredir humanamente.

Evoluímos pouquíssimo ao longo da nossa história, mesmo depois de tantas guerras e tragédias que destruíram inúmeras vidas. É claro que, este modelo de sociedade preconceituosa, excludente e violenta que se multiplicou, não tem provocado paz nem equilíbrio. Por quê? Porque comportamento e relacionamento humano em equilíbrio costumam ser deixados em segundo plano, não sendo prioridades na formação das ideologias e sociedades. Preocuparam-se mais com poderes, vaidades e egoísmos presentes nas interpretações. Quantas ideologias já foram escritas e implantadas? Várias. Mas nenhuma contemplou o essencial do convívio harmonioso que é o respeito à diversidade humana e a inclusão de suas diferenças.

A existência de homossexuais incomoda mais do que a violência? Infelizmente, sim. Quando uma cena de um casal homoafetivo se beijando choca a opinião pública de um país mais que fome, pedofilia, corrupção, estupro, racismo e assassinatos bárbaros, é um forte sinal de que este país está se preocupando mais em ter e preservar seus preconceitos e dogmas do que combatê-los. Ainda estamos muito longe da formação de uma sociedade evoluída, em equilíbrio e sem preconceitos.