Arquivo da categoria: Criando Oportunidades

Vilões versus Heróis

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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Hoje assisti ao filme CORINGA, indicação de uma amiga. Fui com resistência, porque não sou fã de “ficção”, mas tive uma grata surpresa, pois a trama nos traz uma reflexão muito interessante sobre – A CONSTRUÇÃO de um “VILÃO”. Até então, “nós” nos identificamos com os heróis, porém, depende aqui, de que “NÓS” eu estou falando, uma vez que me trago como referência – Homem branco de bairro nobre e relativo poder aquisitivo. O estereótipo da maioria dos mocinhos.

Inicialmente, pensei que o filme representasse a ficção do universo dos quadrinhos, mas estava enganado, pois me dei conta de que se tratava da nossa triste realidade social. A verdade de uma esmagadora maioria que vive à margem da sociedade, esquecida como um fantasma social.

Mediante reflexão, fiz analogia do filme ao falecimento de Augusto Liberato, conhecido por nós como Gugu, devido a sua vasta vida pública nos entretendo com sua programação nas tardes de domingo etc. Diante de um acontecimento trágico, presenciamos nas mídias essa semana, muitas manifestações consternadas, por termos perdido um homem talentoso, relativamente jovem (60), pai de família e com uma carreira brilhante que lhe rendeu muito destaque e uma vida abundante.

De fato, Gugu foi um grande homem, excelente profissional e muito carismático, cujo ocorrido nos comove, por se tratar de uma VIDA conhecida. Porém, diariamente perdemos inúmeros pais de famílias, com uma vida não tão glamorosa, mas que também são pessoas do bem e que deixam saudades para os que ficam. Talvez estes façam uma falta ainda mais dolorosa aos seus, pois muitas vezes são os únicos provedores de uma família pobre que habita na periferia.

As mortes são de causas variadas, mas, porém, contudo e todavia, as notícias não nos comovem tanto, porque a maioria não carrega consigo “A CAPA DO SUPER HERÓI”. Ou seja, a pele branca, os olhos claros e a carreira bem-sucedida que nos atribui status e o título de NOTORIEDADE, uma vez que só poucos são NOTADOS, enquanto a grande maioria passa DESPERCEBIDA.

O filme do Coringa, é um verdadeiro tapa na cara da sociedade. Apesar de eu ser Psicólogo e analisar o sujeito no seu aspecto biopsicossocial, vou abster-me aqui da análise do fator patológico do personagem, para concentrar-me no contexto ao qual ele estava inserido. Que envolve uma assistência social precária, uma estrutura familiar complexa, muito preconceito, baixo poder aquisitivo, descaso governamental dentre outros.

Não quero defender uma teoria absolutista de que o “homem” seja 100% fruto do meio, mas o filme mostra o poder que tal influência exerce na vida das pessoas e de certa forma nos faz repensar se existe de fato um herói e um algoz na trama do Batman versus Coringa. Ou seja, até então, conhecíamos a triste história de Bruce Wayne, um menino órfão de pais ricos, vítima da violência urbana, que na sua fase adulta decide travar uma batalha contra os seus arquirrivais do “mal”. Batman este, branco, rico, bonitão etc.

Já o Coringa conhecido por “NÓS” como vilão, no final do filme, tornou-se herói sob o olhar de uma grande maioria que se identifica com a mesma dor e humilhação, o mesmo descaso e as inúmeras batalhas do dia-a-dia. O autor do filme, nos apresenta uma nova perspectiva. Pois assim como o Batman, o Coringa também se constrói e se vinga – por se sentir MORTO em VIDA (vítima/órfão/invisível). Ele se revolta e devolve ao mundo, a violência que sempre recebeu, se fazendo percebido.

Não creio que possamos chegar a tanto, em que os meios possam vir a justificar os fins, vice-versa. Nem posso compactuar com a violência de qualquer tipo de natureza. Mas fica o alerta de que, lutar por uma sociedade mais justa e menos preconceituosa, fará grande diferença na diminuição da violência. Temos que aprender a respeitar cada vez mais as diferenças. Valorizar o humano acima do seu status, etnia, sexualidade e aparência.

Não sei qual é a reflexão e lição que cada um retira do enredo desse filme. Mas, imagino que, no mínimo, de agora em diante, muitos possam enxergar a luta do Batman e do Coringa, como um confronto entre duas VÍTIMAS. Até porque, muitos vilões um dia já foram vítimas. Muitos que erraram, um dia já quiseram acertar e se sentirem aceitos.

Por isso, vamos evitar o descaso, o preconceito e tudo mais que possa vir a restringir a vontade do outro de existir, ser visto, reconhecido e encontrar significado e propósito para sua existência. Afinal, ninguém nasce querendo SER o Coringa, apenas pode se TORNAR após alguns percalços na vida.

Ter ou manter: Eis a questão.

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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No universo das fábulas, conta-se a história da lebre e da tartaruga que nos faz refletir sobre o tempo e a relação entre intensidade versus consistência. Prestes a disputarem uma corrida, o coelho vangloriava-se da sua velocidade e a tartaruga confiava-se na sua resistência. Dada a partida, a lebre dispara na frente rapidamente e a tartaruga sai lentamente em direção a meta a ser alcançada (o ponto de chegada).

No meio do percurso, como a lebre mantinha vasta vantagem, resolveu parar para descansar. Porém, acabou dormindo e a tartaruga mesmo com seus passos lentos, recuperou a distância e ultrapassou a linha de chegada à sua frente. Como lição de moral, fica a reflexão de que: “Devagar se vai ao longe”.

Lógico que, se a disputa fosse num percurso curto de 100 metros, a tartaruga não teria a menor chance. No entanto, como o trajeto era longo, venceu a resistência e o foco. Assim acontece na nossa existência. Afinal, a vida não é uma corrida de 100 metros, mas sim, uma maratona que exige de nós muita consistência para não desistirmos do que nos propomos a Fazer.

Agora, a questão é: Quem de fato eu quero e devo ser para alcançar meus objetivos? Rápido e intenso como a lebre, ou confiante e consistente como a tartaruga? Bem, creio que não exista uma única resposta, porque podemos ser um mix de competências, respeitando nossas características e diferenças. Porém, tenho notado cada vez mais, que a consistência tem levado vantagem diante da intensidade, pois, recebo diariamente, clientes que relatam inúmeras e intensas tentativas sobre algo que é abandonado antes de ser alcançado.

Por isso, entendo que, rápido ou devagar, o importante mesmo é iniciar e realizar o seu objetivo – com persistência. Pois, mais relevante do que ter iniciativa, é gerar “acabativas”. Dar começo, meio e fim aos nossos projetos de vida. Para tanto, devemos começar o trajeto de qualquer jeito, sem desculpas ou justificativas, pois todos que se propuserem a caminhar numa mesma direção, uma hora chegarão ao mesmo lugar, ainda que em tempos diferentes. Logo, acredito, que mais interessante do que alcançar uma meta, é conseguir manter-se nela.

Nesse sentido, seguir em ritmo excessivamente acelerado, pode nos roubar a oportunidade de olhar para o lado e aproveitar o trajeto. Assim como, a extrema lentidão, pode adiar ou aniquilar as nossas realizações. O ideal mesmo é que cada um encontre seu ritmo e equilíbrio. Posto isto, mantenha-se sempre consistente, mas reavalie constantemente, se o seu passo está de acordo com o seu prazo e executado de forma sustentável.

Até porque, de que adianta perder peso rapidamente com a “dieta da alface”, se você não conseguirá passar o resto da sua vida só comendo folhas? Logo, fazer uma reeducação alimentar, manter uma boa disciplina de exercícios e cuidar dos seus aspectos emocionais, pode sustentar melhor os seus resultados a longo prazo.

É por isso que não adianta correr tanto, porque chegar antes não é sinônimo de sustentabilidade. A vida acaba sendo como uma viagem de carro, em que o excesso de velocidade pode representar um perigo. Nesse caso, já diz o ditado: “Antes tarde do que nunca”. O melhor mesmo é diminuir o giro para não correr riscos. Ou seja, o importante é chegar vivo.

São tantos os casos, que não existe uma fórmula específica. Cada pessoa deve ajustar o seu ritmo respeitando seus aspectos biopsicossociais (corpo, mente e contexto inserido). Devemos compreender ainda, a subjetividade humana e a relatividade do tempo para dele tirar o melhor proveito. Pois, não existe um padrão ideal entre correr e se arrastar, cabendo-nos através do autoconhecimento e da análise das circunstâncias, saber a hora de acelerar e frear.

Enfim, caso você esteja cansado de recomeçar, é chegada a hora de parar de desistir. Aprenda a dar início, meio e fim aos seus projetos. Pois o tempo está passando e o seu prazo de validade acabando. Uma hora você irá olhar trás e se questionar sobre o que faltou para poder realizar seus sonhos? Logo, rápido ou devagar, respeite seu ritmo, mas não desista dos seus verdadeiros SONHOS, porque independentemente de cedo ou tarde, o mais importante será realiza-los.

Quem de fato motiva os seus atos?

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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Coitado de quem se sente motivado pelo estímulo alheio, pois a exemplo dessa charge, encontramos mais pessoas negativas a nos desanimar, do que positivas a nos incentivar. E não se trata necessariamente, de inveja ou maldade, muitas vezes são pessoas pessimistas que se compreendem realistas.

Acontece que toda realidade é relativa. O que não dá certo para alguns, pode dar certo para outros. Logo, só saberemos se os nossos sonhos serão alcançados, tentando. Por isso, mantenha seus ouvidos blindados e a sua mente positiva – alinhada com o seu propósito de vida – pois, corroboro com a frase que diz: “Nem todos que tentaram, conseguiram, mas todos que conseguiram, tentaram”.

Acredite em você e faça acontecer. Se o sonho é seu, seja você mesmo, o seu maior incentivador. Até porque, os motivos que impulsionam as suas ações têm que fazer sentido para sua vida e não na de quem opina. Não dê aos outros o poder de determinarem o seu destino, pois as consequências e os arrependimentos futuros são de responsabilidade sua. Depois não adiantará apontar culpados, porque o tempo passou, mas as escolhas e decisões estiveram sempre em suas mãos.

Eu particularmente, sinto-me triplamente motivado. Pois, estou tão certo e alinhado com meus propósitos e motivos, que quando alguém me diz que vou alcança-los, eu confirmo e agradeço o incentivo. Mas quando me dizem que não dará certo, eu discordo e o futuro provará o contrário. Ou seja, sou tão otimista que as críticas tornam-se construtivas e viram igualmente combustível para o meu caminhar.

Nesse sentido, seja por incentivo ou desafio, dê mais ouvido aos seus instintos. Afinal, como sempre tenho dito, a vida é muito curta para ser desperdiçada.

Conhece-te a ti mesmo

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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Sempre pergunto aos meus clientes, se ao longo de suas trajetórias, eles têm deixado mais portas abertas ou fechadas? Assim como, se tem construído mais relacionamentos de mãos estendidas ou mãos a lhes puxar os pés? Faz-se importante refletirmos que, somos seres de relações e, quanto mais bem quistos formos, melhor será a nossa jornada.

Até porque, a vida dá voltas e, por vezes, poderemos ter que voltar ao ponto de partida. Logo, nada melhor do que encontrarmos as portas abertas dos locais pelos quais já passamos. Da mesma forma, convivemos com pessoas, sendo melhor construir amigos, pois estes são mais efetivos do que um currículo, quando lhe indicam e vendem com paixão.

Porém, o que mais vejo hoje em dia, são pessoas forçando sua demissão, para se beneficiar em curto prazo, de uma mísera indenização. No entanto, se esquecem de enxergar a longo prazo, o prejuízo que constroem sobre a própria imagem. Sendo, a meu ver, a reputação, um bem maior e irrefutável. Não obstante, também me deparo, com muitas reclamações a respeito das relações interpessoais, em que colecionamos mais inimigos, contribuindo desse modo para um péssimo clima organizacional.

Por isso, reflita do que você tem se cercado ao longo da sua vida. Qual é o seu legado? Sua ausência é do tipo que é notada e faz falta ou é indiferente e traz alivio? Lembre-se, amizade (network) é algo tão importante que, como compôs Roberto Carlos, quem não gostaria de ter 1 milhão de amigos? Afinal, você já imaginou, se tivesse 1 milhão de amigos e, ao passar por uma extrema necessidade, resolvesse pedir para cada um, apenas 1 real? Quanto você teria na sua conta ao final do dia? Até porque, ninguém lhe negaria essa mixaria.

Posto isto, puxe menos cadeiras ou tapetes, e ajude ao próximo a manter-se em pé. Pois acredito piamente, que a semeadura é livre, mas a colheita é certa. Nesse sentido, plante mais amor para colher gentilezas e reciprocidades. Torne-se um ser humano melhor e amplie seu Network – pois bons e vastos relacionamentos são os maiores ATIVOS que uma pessoa pode ter.

Vença suas resistências

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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Recentemente fiz uma viagem para uma pousada no Maranhão que fica próximo aos lençóis maranhenses. A viagem reuniu a família e me permitiu novas vivências como a de deitar numa rede dentro da lagoa. Embora pareça uma atividade simples, o que de fato é – mesmo para um tetraplégico – me fez refletir, o quanto o simples pode se tornar complexo, quando a gente não se permite. Vencida a resistência, pude aproveitar uma experiência nova e prazerosa, mas que não se torna possível para todo mundo, por um aspecto muito mais psicológico do que físico.

Imaginei quantas pessoas não conseguem aproveitar a vida por não arriscarem ou se permitirem ousar. Alguns por medo, outros por não acreditarem nas possibilidades, outros por não enxergarem as oportunidades. Eu mesmo lembro de uma época em que tinha a chance de sair e viajar, mas não queria. Algum tempo depois, passei a querer, mas temporariamente, já não podia. Isto me fez refletir sobre o aproveitamento do tempo e uma frase que diz: “Cavalo selado só passa uma vez”.

Caso você desconheça este ditado, ele se refere às oportunidades que você desperdiça e que por vezes não voltam mais. Mesmo que outros “cavalos” possam passar, nunca mais serão os mesmos no sentido tempo espacial. No entanto, o que há de mal nisso? Não é dito que cada um deve respeitar o seu tempo? De fato, nem sempre nos sentimos preparados. Mas, a questão é: “Será que precisamos realmente estar prontos para assumirmos as rédeas da nossa existência? Até que ponto é ausência de preparo ou excesso de insegurança?

Recebo frequentemente no meu escritório, pessoas que me procuram para auxiliá-los no alcance de suas metas. Embora quem esteja de fora, possa somar e facilitar o percurso, ao trazer um novo olhar para a construção de novas estratégias, o processo de coaching, não se trata, simplesmente, de uma entrega de resultados desejados. Mais do que entregar um fim, trata-se de se desenvolver um meio. Ou seja, gerar autonomia no cliente, para que ele se torne capaz de encarar, enfrentar e alcançar novos objetivos. Logo, o processo não é apenas de obtenção, mas sim, de transformação do sujeito para que ele possa se sentir apto para montar qualquer “cavalo”.

Não é raro eu me deparar com clientes altamente competentes, mas travados em seus resultados, por desacreditarem do próprio potencial. Inseguros, estão sempre a se preparar num processo sem fim. Não há nada de mal, em se querer ser mais e melhor. Trata-se de uma insatisfação positiva, pois conhecimento nunca é demais. No entanto, espero que as suas inseguranças não sejam determinantes nas suas tomadas de decisões, pois, ainda que eu concorde, que as oportunidades favoreçam os mais preparados, em muitos casos, a limitação atitudinal, impossibilita bem menos do que as barreiras psicológicas, estando na cabeça e na força de vontade o poder de toda capacidade.

Nesse sentido, posso montar inúmeros “cavalos”, sem que para isso, já seja preciso saber trotar, cavalgar ou correr. Literalmente falando, sentar sobre um cavalo e sair andando, não requer tanta habilidade, só “um pouco” de coragem para dar-se início ao aprendizado – praticando. Até mesmo porque, o que de fato limita as nossas ações são as nossas decisões.

Sei que não existe caminho fácil ou rápido, pois entre o plantar e colher, vem o regar e esperar. Porém, siga em frente, porque o tempo passará do mesmo jeito e, muitas vezes, quando ficamos presos ao que não podemos fazer, deixamos de fazer o que podemos. Logo, se você não pode ou não sabe correr, simplesmente ande, uma vez que o mais importante é darmos o primeiro passo em direção aos nossos sonhos. Por fim, seja andando, correndo, dirigindo ou voando, em comum, todos alcançarão o mesmo fim, embora que em tempos diferentes. Só evitemos ficar parados, pois a vida é muito curta para ser desperdiçada.

Posto isto, esteja sempre aberto a dar o primeiro passo. Não sei lhe dizer se “quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha”, mas aprendi ao longo da vida, que em muitos casos, a ordem não muda os fatores. Devemos nos permitir e arriscar mais para aproveitar as oportunidades que nos aparecem na vida, pois, de fato, algumas não voltam mais. E, embora eu compactue com o ditado que diz: “nunca é tarde para recomeçar” ou “antes tarde do que nunca”, acredito igualmente que, “quanto antes, melhor”.

Enfim, acredito que tudo parta do nosso processo de autoconhecimento. Porque quem sabe quem é e o que quer, saberá o que fazer para alcançar seus objetivos. Desse modo, imagino, que o que você vai obter em 2019, será diretamente proporcional ao que você vai ser e fazer ao longo do ano. Porém, peço que reflita, que a sua vida depende muito mais do seu poder de escolha e decisão. Logo, permita-se. Diga sim as oportunidades, mesmo antes de estar 100% preparado, pois, na maioria dos casos, aproveitamos e aprendemos bem mais experimentando.