Prepotência e ego não combinam com educação

por Danielle Cardoso
estagiária de Letras do Laboratório de Inclusão

prepotência

Se tem uma coisa que aprendi na minha vida acadêmica é que você nunca saberá de tudo, nunca será detentor pleno do conhecimento. Quando você aprende algo, percebe que tem um mundo de outras coisas que você não sabe. Por mais mestrados, doutorados e pós-doutorados que você tenha, sempre haverá um mundo de conhecimentos ao qual você será ignorante. A vida é um eterno aprendizado e acredito que, para os professores, em especial, essa deve ser a lição número um de sua profissão.

É muito egoísta e prepotente você pensar que não tem mais nada a aprender, que seu aluno não é capaz de te ensinar algo novo. Sua didática pode ser perfeita na teoria, mas, na prática, é outra coisa. Sempre será preciso fazer adaptações, pois plano de aula que dá certo é aquele que sai do planejado. Professores trabalham com a formação de seres humanos, que são diferentes em tempo, compreensão, gostos, pensamentos, ações. Não é matemático, você não vai conseguir a fórmula para ser um bom professor, o segredo é ter humildade e aprender a como ser melhor a cada dia.

Neste contexto, uma “professora” universitária faz algo inaceitável: falou, em meio a toda sua turma, que não vai mudar sua didática por causa de um único aluno que tem deficiência visual. – Para quê, não é, professora? Para quê mudar sua didática por causa de um cego, que, na sua cabeça, não vai chegar a lugar nenhum? Realmente, esse papo de inclusão é muito bonito, desde que não te afete, não é?! Porque não vejo sentido mesmo em mudar sua didática, que, provavelmente, há muitos anos você a usa e nunca pensou em reformulá-la. Se não acompanha, não é seu problema, você não é culpada por ele ser cego. Absurdo mudar sua aula por ele!

Para quem não entendeu, usei de ironia no parágrafo anterior. É assim que imagino que pensa uma pessoa que faz isso, que, por ego e prepotência, quer tirar o direito de um aluno com deficiência de estudar. Professora, você pode ser processada por isso, porque discriminação é crime. Não estou expressando o que acho, a Lei Brasileira de Inclusão é que garante: DISCRIMINAÇÃO É CRIME! E não tem nada de mau evitar escrever na lousa ou descrever para o seu aluno o que você escreveu lá. Não é coisa do outro mundo disponibilizar os textos da disciplina em PDF para que seu aluno possa ter acesso igual aos outros. Na verdade, professora, isso faz parte da sua profissão.

Já passei por algo parecido no começo da minha graduação, o professor fingia não me ver, negava-se a dar aulas na sala de baixo e eu, que sou cadeirante, que me virasse para assistir a suas aulas e disse que eu não precisava fazer trabalhos, pois, no fim do semestre, ele me daria uma nota qualquer. Não denunciei esse professor, não sabia ainda quais eram meus direitos. Todavia, o que mais me chamava atenção era que, fazendo tudo isso comigo e humilhando os outros, ele reafirmava seu enorme ego e fazia valer a figura do professor todo poderoso, que todos temem. Se ele se permitisse a aprender comigo, todo o mundo de ilusão que ele criou e ao qual tanto se agarra, cairia, e ele voltaria a ser um professor normal, era isso que o amedrontava.

A vida não é, nem precisa ser, uma competição. Não deixe seu ego tomar conta de você, só porque você tem uma condição social mais elevada que os outros. Não banque o sabe-tudo, só porque você tem um título de doutor. Não seja prepotente com seus alunos, isso só mostra o quão inseguro (a) você é. Pelo contrário, aprenda com eles, seja humilde, inclua. Você será uma pessoa bem melhor assim, te garanto. Não perca tempo alimentando seu ego, é na simplicidade que a gente é feliz. Até a próxima!

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