A importância de amigos no meu processo de inclusão

por Danielle Cardoso
estagiária de Letras do Laboratório de Inclusão

acessibilidade

Eu já passei por todos os estágios de escolarização e o que pude observar é que, em todos, meus amigos foram muito importantes para a minha inclusão. Não sou de ter muitos amigos, mas os que tenho, valem a pena. Logo, na maioria das vezes, uma única pessoa se aproxima de mim (sim, se não se aproximar, eu não me aproximo) e começa a me ajudar. O que acontece é que os amigos dessa pessoa aprendem com ela a se relacionarem comigo. Assim, em pouco tempo, tenho uma rede de amigos com os quais eu posso contar em qualquer situação.

Apesar de muitas pessoas se afastarem de mim por causa dos meus movimentos e dificuldades de falar, eu sempre fiz parte de grupinhos nas escolas que estudei. A curiosidade dos meus amigos de me conhecerem melhor quebrava muitos preconceitos. Eu gosto de brincar e quem me conhece sabe que sou bem extrovertida e espontânea, embora, à primeira vista, não pareça. O que é engraçado lembrar é que sempre fui muito “mandona”, então, eu acabava sendo a líder do grupinho que fazia parte.

Dessa forma, eu conquistava (e conquisto) meu lugar no mundo. Muitas vezes, meus amigos me defendiam até de professores que não ficavam muito satisfeitos em lidar comigo. E, olha, eu não era fácil, aprontava cada uma. Já briguei para me defender e tive o apoio dos meus amigos. Enfim, sou na minha, mas não pisa no meu calo. Acho que essa honestidade que assumi de ser eu mesma me ajudou bastante, pois, quando meus amigos percebem que trato minha deficiência como um mero detalhe, tudo fica mais simples e mais “normal”.

Na faculdade não foi diferente. Quando minha mãe deixou de me acompanhar, um cara se aproximou de mim e logo virou meu amigo. Durante algum tempo, eu contei só com ele para muita coisa. Acontece que ele me apresentava para os amigos dele e, logo, todo mundo me conhecia. O legal é que muita gente aprendeu com ele a empurrar minha cadeira de rodas, por exemplo. E foi passando a outras pessoas. Hoje, depois de cinco anos, ainda tenho amigos que se orgulham em dizer que observaram como os outros conseguem ultrapassar os obstáculos para também poderem me ajudar.

É sempre bom lembrar que ajudar é uma coisa e considerar a pessoa com deficiência incapaz é outra. Não gosto que me superprotejam, isso me sufoca. Ajudar um amigo espontaneamente não é nenhuma caridade. E, se você quiser fazer caridade, procure lugares com pessoas que realmente precisam disso. Só quero perto de mim quem acha natural ajudar uma amiga cadeirante. Quem sabe brincar, tem senso de humor e sabia conversar. Gente que não se acha superior a ninguém e aceita a diversidade de cada um.

Descobri que ter amizades assim é o maior bem que posso ter. Agradeço meus amigos que sempre me aceitaram como eu sou e foram companheiros quando mais precisei. E, sim, podem zoar comigo, desde que você tenha intimidade para isso. Brincadeira entre amigos não tem nada de errado. Errado é quando a pessoa não gosta da brincadeira e você continua. Para essas situações o melhor é ter sensibilidade para perceber que errou e pedir desculpas. Ter amigos é bem melhor do que ter dinheiro. Espero que você tenha amigos de verdade. Até a próxima!

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