Você está desmotivado? Entenda o porquê

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

unnamed

Como palestrante motivacional, vejo a motivação como o estopim necessário para cada ação. Afinal, trata-se de despertar nos outros algum motivo que os levem a tomar uma ação. Porém, no campo das competências humanas, temos que deter conhecimento, habilidade e atitude para obtermos êxito nas metas e resultados esperados.

Nesse sentido, a motivação serve como combustível para a atitude – peça fundamental atrelada ao querer fazer – pois sem ela não se vai a lugar nenhum. No entanto, vale a pena ressaltar que, se você motiva uma pessoa despreparada, ela será somente uma pessoa despreparada, agora, motivada. Ou seja, alguém que quer alcançar suas metas, mas não sabe por onde começar ou como atuar.

Neste contexto, a motivação tem total relevância e importância, porém não fará sentido ou trará mudança se o indivíduo não buscar, igualmente, por conhecimentos e habilidades que lhe tragam bons resultados. Logo, o maior legado de uma palestra motivacional é ser o pontapé inicial que nos instiga não somente a acreditar em si e nas possibilidades, mas, principalmente, na necessidade de se adquirir sabedoria e colocá-la em prática como movimento concreto de toda transformação.

Habitualmente, digo aos meus clientes que não basta ter boa vontade, porque resultados só surgem com ações. No entanto, não se trata de qualquer ação, pois a atitude de uma pessoa despreparada pode gerar cada vez mais frustrações sequenciadas. O que acaba por minar a nossa motivação, uma vez que tentamos, tentamos e não conseguimos alcançar os resultados. Desse modo, passamos a depender da tal superação, ou seja, uma super ação que sempre será melhor desenvolvida por quem tem sabedoria.

Entenda que todo carro depende da gasolina para rodar, mas o combustível só queimará adequadamente, se o motor funcionar bem. Uma vez funcionando, o carro irá lhe levar, aonde você quer chegar. Porém, o ritmo e o tempo variam de acordo com o seu motor (capacidade) e a estrada (habilidade). Muito dependerá do motor, se ele é 1.0, 1.3, 1.6, 1.8, 2.0, 16 Válvulas ou, para caminhos mais tortuosos, 4X4. Logo, a questão é: você tem dado manutenção e turbinado seu motor? Ou vive só de pôr gasolina?

Enfim, o sucesso nos cobra um preço chamado competência. Afinal, nada vem de graça, sempre haverá uma conta a acertar. Novamente, a questão é: você está disposto a pagar o preço da sua realização? Muitos dos que me ouvem em palestras ou leem meu livro, se dizem motivados e empoderados, mas será que a grande maioria consegue modificar sua realidade e realizar seus sonhos? Sinceramente, acredito que não, embora receba vários depoimentos que indiquem que sim. Creio tratar-se apenas da realidade de uma minoria, cujo sonho estava próximo ou o problema era relativamente pequeno ou já era uma pessoa capacitada que precisava só de uma motivada para acordar e assumir o controle da sua vida.

Por isso, não se enganem, pois o sucesso exige mais. Não basta agir para alcançar excelentes resultados. Ei de estar preparado, porque ação sem direção gera frustração. Sendo assim, motive-se e se inspire com palestras motivacionais e livros de autoajuda, mas procure sempre mais, absorvendo e adquirindo novos conhecimentos e técnicas que acelerem de forma assertiva as suas conquistas. Invista, em si mesmo, tempo e dinheiro, pois conhecimento custa caro, mas traz resultados extraordinários. Lógico que nem só de conhecimento vive o homem. De nada adianta saber, se não acreditarmos e colocarmos em prática aquilo que sabemos – fato comum que atendo diariamente: pessoas preparadas, mas que se sentem inseguras ou desmotivadas.

Desta forma, a “fórmula” correta de toda transformação é o autoconhecimento e o equilíbrio entre as três competências: conhecimento, habilidade e atitude. Ou seja, se você quer vencer, procure se conhecer, busque o saber, saiba fazer e faça acontecer. Por fim, persista, pois, se fosse fácil, todos conseguiriam. Espero não tê-los desmotivado, mas prefiro do que tê-los iludido. De fato, a vida não é fácil, mas é na dificuldade que mais tenho aprendido. No final, todo sacrifício terá valido a pena, quando realizo o que idealizo.

Este e outros artigos estão disponíveis em http://www.marciovaz.net/blog-news.

Anúncios

Coesão textual

por Danielle Cardoso
estagiária de Letras do Laboratório de Inclusão

quebra-cabeca-madeira

Já escrevi aqui sobre a coerência textual e, como um assunto puxa o outro, hoje, vim falar da coesão que nada mais é do que a forma como os elementos linguísticos presentes na superfície textual se interligam, se interconectam, por meio de recursos também linguísticos, de modo a formar um tecido (tessitura), uma unidade de nível superior à da frase, que dela difere qualitativamente. Em outras palavras, a coesão liga as partes do texto.

Para tanto, existem palavrinhas chamadas “conectivos” que ligam as informações do texto a fim de desenvolvê-lo, dar continuidade a ele. Na coesão sequencial, esses conectivos ligam parágrafos e são usados de acordo com o sentido do texto. Vejamos alguns exemplos.

1º argumento: o primeiro, o primeiro deles, inicialmente, em primeiro lugar, é o primeiro, a princípio, de um lado.
Argumentos intermediários: a seguir, em seguida, também, o próximo, é o segundo, outro fator, outra razão, mais uma razão, depois, por outro lado, de outro.
Último argumento: enfim, finalmente, por fim.
Conclusão: em suma, portanto, consequentemente, então, logo, em síntese, dessa forma, dessa maneira.

Existem também as conjunções, que ligam orações, frases ou períodos. Não entrarei na questão dos tipos de conjunções, orações coordenadas e subordinadas, porque considero mais importante saber usar as conjunções do que saber como elas se classificam gramaticalmente. Você não precisa entender toda a gramática para poder escrever bem. Por isso, vamos ver exemplos de conjunções:

Conjunções coordenativas

Aditivas: e, nem, também, com.
Adversativas: mas, contudo, entretanto, e, porém, no entanto, todavia.
Alternativas: ou, ou…ou, ora…ora, seja…seja, quer…quer, já…já.
Conclusivas: assim, logo, portanto, por isso, por conseguinte, pois (posposto ao verbo)
Explicativas: porque, porquanto, que, pois (anteposto ao verbo).

Conjunções adverbiais

Causais: porque, porquanto, visto que, já que, uma vez que, como.
Comparativas: mais… que, mais… do que, menos… que, menos… do que, menor… que, menor… do que, tal… qual, como, tanto… como, tanto… quanto, assim como.
Concessivas: embora, que, ainda que, se bem que, apesar de que, por mais que, por pior que, mesmo quando, posto que.
Condicionais: se, caso, contanto que, sem que, desde que, a menos que, a não ser que.
Conformativas: conforme, consoante, segundo, como, da maneira que.
Consecutivas: tão… tanto, tal… que, tamanho… que, de sorte que, de modo que, de maneira que, de forma que.
Finais: para que, para, a fim de que, que.
Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto menos… tanto mais, quanto maior… tanto menor, quanto menor… tanto maior.
Temporais: quando, logo que, depois que, antes que, enquanto, assim que, mal, bem, apenas, somente, sempre que, desde que.

Viram como existem várias conectivos que deixam seu texto todo interligado? É só saber usar na situação certa e isso se aprende praticando e não decorando tabelas. Sei que faltou falar dos pronomes e advérbios, mas isso fica para outro texto. A intenção aqui não é fazer ninguém decorar nada, mas, sim, conhecer um pouco mais nossa língua. Lembrando que existem texto que não têm nenhuma marca de coesão, mas são coerentes, pois o sentido não decorre somente da parte linguística do texto, porém, isso é outro assunto. Espero que tenham gostado da dica de hoje. Até a próxima!

Você quer crescer? Então, permita-se!

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

unnamed

Ultimamente tenho dado início às minhas palestras propondo um “contrato de permissão”. E do que se trata? Refere-se, simplesmente, ao fato de cada um se permitir o aprendizado, pois o que mais vejo são pessoas críticas e amarguradas que se dizem azaradas ou se sentem injustiçadas por não terem oportunidades na vida. Embora eu reconheça que as oportunidades sejam desiguais, acredito que o nosso aproveitamento dependa muito mais da nossa vontade e grau de comprometimento do que das chances que nos sãos dadas ou “roubadas”.

Tiro como exemplo um episódio da minha adolescência. Eu estudava em uma escola particular conceituada, mas tinha como professor de reforço um estudante, da minha mesma idade, de uma escola pública. Ou seja, apesar das oportunidades serem desiguais, eu estava aquém do que me ofertavam e ele além. Eu desperdiçava o muito, enquanto ele aproveitava, ao máximo, o pouco. Logo, nem sempre, é a escola que faz o aluno, mas, sim, o nível de interesse e comprometimento dele com o seu aprendizado.

Da mesma forma, podemos pensar sobre o proveito das oportunidades de qualquer outra natureza. Para alguns, são perdidas ou passam despercebidas; para outros, são criadas e aproveitadas. Por isso, ao meu ver, o mais importante é estarmos abertos ao conhecimento e dispostos ao experimento. No entanto, o que nos impede de crescer, aprender, aproveitar e alcançar?

O fator impeditivo encontra-se no nosso pessimismo e excessivo senso crítico. Geralmente, nada está bom o suficiente e ninguém presta realmente. Justificamos o sucesso do outro como golpe de sorte ou mérito superficial. Desse modo, nos colocamos na defensiva e geramos resistências, pois, tais barreiras roubam-nos a oportunidade de aprender ao desacreditamos dessa possibilidade em qualquer intensidade.

É comum ver pessoas participarem de eventos e criticarem treinadores, cursos, métodos, livros etc, sem perceberem que temos a capacidade de aprender a todo momento, seja com quem for. Quando eu me permito, mesmo sendo crítico, aproveito o que cada um me traz de melhor e descarto o que for de pior. Quando me fecho, perco a chance de aprender e desperdiço meu tempo, pois me disperso e passo a dar atenção às distrações (celulares, conversas paralelas, redes sociais etc).

Como palestrante, enfatizo que uma palestra boa ou ruim é algo relativo, porque, às vezes, assistimos a uma palestra excelente, que nos proporciona elevado nível de satisfação, mas com pouca eficácia na vida prática. Porém, por vezes, uma palestra mediana, mesmo com conteúdo limitado, pode nos trazer uma única ideia que, se implementada, pode mudar nossa vida.

Por esse motivo, reforço a necessidade de estarmos sempre abertos ao conhecimento, porque, quando menos se espera, a oportunidade surge e a vida prospera. Se você quer crescer pessoal e profissionalmente, aproveite cada momento da sua vida e permita-se aprender, pois, repito: o que você ainda não tem é porque ainda não sabe como obter. Critique menos, absorva mais.

Este e outros artigos estão disponíveis em http://www.marciovaz.net/blog-news.

A internet e as relações interpessoais de pessoas com deficiência

por Danielle Cardoso
estagiária de Letras do Laboratório de Inclusão

dexa-700x359

Atualmente, as relações interpessoais se dão muito mais no mundo online do que no offline, isso é algo que não há como negar. Acontece que a conversa face a face está se perdendo, estamos esquecendo como se faz contato visual e, o pior, quase não nos tocamos mais. Essa pode ser a realidade de uma geração de jovens que não vive sem internet, que sequer lembra que, algum dia, não existiu uma coisinha invisível, mas fundamental, chamada wi-fi. Nesse contexto de jovens imediatistas que quase choram quando a internet cai, como reagem as pessoas com deficiência? Até que ponto a tecnologia corrobora (ou não) com a inclusão e aceitação dessas pessoas?

O que observo é que a internet representa uma espécie de libertação para as pessoas com locomoção reduzida e dificuldade de expressão. Sou exemplo disso, grande parte do meu mundo está na tela do meu computador, mais especificamente, na minha conta do Google. É na internet que converso com meus amigos, envio e recebo textos e informações da minha equipe de estágio, faço publicações no grupo Universidade Acessível, o qual administro. Esclareço dúvidas e envio partes da minha monografia para meu orientador, falo com professores, resolvo problemas e me divirto muito assistindo a vídeos no YouTube.

É tanta coisa que, literalmente, choro quando meu computador dá algum problema. Passo tanto tempo com ele que esqueço que ele é só uma máquina. No entanto, a internet abre um espaço enorme para influenciar as pessoas a não serem elas mesmas. Isso me amedronta, pois sei que deve existir muitas pessoas que, em nome de um ideal de beleza e felicidade que as redes sociais pregam, escondem as deficiências que têm e quem verdadeiramente são. Imagino que isso aconteça porque, assim como na vida real, tem muita gente preconceituosa do outro lado da tela.

Chats, salas de bate-papo e sites de relacionamento não são os melhores lugares para buscar aceitação de outras pessoas, pelo fato de que, em muitos deles, a foto é o cartão de visita da pessoa e, no caso de pessoas com deficiência que não são muito seguras de quem são, essa foto pode ser falsa ou esconder sua verdadeira condição. E mesmo quando a intenção não é esconder a deficiência, a foto pode não mostrar tal condição física. Quando isso acontece, o papo, que pode estar ótimo, quebra quando a deficiência é revelada. E, sim, já passei por isso.

Aqui, abro um parêntese para compartilhar algo que achei muito legal. Certo dia, encontrei um site de relacionamentos que tinha a opção para a pessoa marcar se tivesse deficiência. Fiquei uns minutos pensando sobre a questão e, sinceramente, achei muito interessante a ideia, pois considera a deficiência como uma característica da pessoa, tal como ser baixa ou ter cabelo encaracolado – o que está certíssimo. Logo, a pessoa escolhe se assume a deficiência como característica intrínseca dela ou se prefere se esconder atrás de uma máscara. Para mim, o único pressuposto da felicidade é a aceitação, não tem fórmulas complexas para isso. Quando você se aceita, o mundo também abre os braços para você.

Então, há dois lados da mesma moeda. Por um lado, a internet é uma ótima ferramenta para a comunicação e expressão de pessoas que não saem muito ou que não tem muitos amigos, independente de terem deficiência. Por outro lado, é perigosa, pois pessoas assim podem criar uma persona que não a representam e um mundo totalmente irreal, enganando as outras pessoas e, principalmente, a si mesmas. A internet não pode acabar com as relações interpessoais presenciais – nada substitui um abraço, por exemplo. No entanto, usar a internet para ter acesso ao mundo, que às vezes é complicado para uma pessoa com deficiência, pode ser algo libertador mesmo.

Para concluir, deixo um apelo para você que usa a internet para maquiar sua realidade: não faça isso. Aceite-se e não deixe que suas relações interpessoais sejam apenas virtuais. Há um mundo fora da tela do computador ou do celular esperando por você. Até a próxima!

Leitura, compreensão e escrita

por Danielle Cardoso
estagiária de Letras do Laboratório de Inclusão

o-PILE-OF-BOOKS-facebook-828x430

Quase todo mundo já deve ter ouvido falar que, para escrever melhor, é preciso ler mais. Antes de entrar no curso de Letras, eu pensava que essa era só uma resposta rápida que os professores davam aos alunos para não ter que explicar o que realmente deveria ser feito para escrever melhor. Isso porque eu entendia leitura como uma espécie de decodificação do texto, acho que, por isso, eu não gostava de ler. Não tinha sentido, para mim, ficar apenas na superfície do texto, não entender nada mais do que estava escrito. Decodificar não me ajudaria a escrever melhor.

Hoje, entendo que esse tipo de leitura foi adotada a partir dos anos 70 e, realmente, o objetivo dessa vertente era fazer com que o aluno extraísse conteúdos e identificasse sentidos, que acreditava-se estarem no texto. Se pensamos, essa visão não leva o aluno a refletir sobre o que leu, mas apenas copiar o que está na superfície textual. Assim, os jovens não se questionavam sobre o que estava escrito e por que estava escrito de tal maneira. Por isso, não adiantava eles lerem mais para escrever melhor, era preciso interpretar, ir além do texto, para que entendessem como a escrita funciona.

Essa perspectiva de decodificar um texto não é inútil, só deve ser usada em um contexto adequado, como em uma situação em que o aluno aprende aspectos formais do texto, como parágrafo, título, verso, ou comecem a tentar compreender informações pontuais do texto (Quem? Onde? Quando?). No entanto, essa tendência não abre espaço para reflexão. Por isso, a partir dos anos 90, foi criada uma nova vertente para a leitura de textos, é a chamada concepção sócio-interacionista.

Nesta perspectiva, o sentido não está somente no texto, mas, sim, na relação entre texto, autor e leitor. Assim, o texto é visto como um evento comunicativo, pois, para fazer sentido, é preciso os conhecimentos prévio do leitor interagindo com as intenções do autor e dando sentido à materialidade do texto. Nesse sentido, o leitor reflete sobre o que está lendo, faz inferências, enfim, leva em consideração todo o contexto em que o texto está inserido.

Com isso, ler é um ato de produção e apropriação de sentido que nunca é definitivo e completo. Nossa interpretação de um texto depende muito da nossa visão de mundo, pois a compreensão não é individual, é social e deve ser aparada pelo texto. Ou seja, posso compreender um texto diferente de outra pessoa, porém, essas duas interpretações devem ter pontos de contato que são aqueles que o texto admite. Por exemplo, se você ler o seguinte bilhete:

“Ontem, foi um dia emocionante, fizemos a maior passeata contra a violência em nossa cidade.”

Você só entenderá se souber a data do bilhete e onde mora quem o escreveu. Você não poderá interpretar que a cidade é Fortaleza, se você não tiver conhecimento prévio dessa informação. Em outras palavras, você não pode inventar uma informação que não está no texto. Dessa maneira, as pessoas acabam tendo que refletir sobre o que estão lendo e, assim, observam também como o texto é escrito, compreendendo a pontuação, escrita das palavras e, principalmente, a coerência de um texto.

Não há como observar essas coisas e não ler e escrever bem. Por isso, acredite quando seu professor diz que você deve ler mais para escrever melhor. E, quando for ler, tente ir além do que está no papel. Espero que tenham gostado do texto e da dica. Até a próxima!

Deficientes x Entretenimento

por Danielle Cardoso
estagiária de Letras do Laboratório de Inclusão

maxresdefault

Por que a TV e as mídias sociais mostram tão pouco as pessoas com deficiência?

Esses dias, assisti ao vídeo “DEFICIENTES NA TV?! Onde estão?” do canal Rampa de Acesso no YouTube, um dos poucos canais feitos por uma pessoa com deficiência. No vídeo, a youtuber Vânia Martins faz uma breve reflexão sobre o porquê de pessoas com deficiência não terem espaço na TV e, consequentemente, no entretenimento brasileiro. Isso reavivou muitos questionamentos e suposições que tenho a respeito disso e resolvi escrever sobre o tema.

Quero começar perguntando: com que frequência você vê um deficiente naquele seu programa favorito? Você vê algum? Aposto que não, porque, salvo casos isolados, não existem apresentadores ou atores com deficiência. Eu assisto muito pouco à TV, mas, sinceramente, só vejo deficientes uma vez por ano no programa Teleton. Não é possível que não tenham pessoas com deficiência que podem ser bons atores ou apresentadores.

Certa vez, ouvi um comentário dizendo que seria muito bom se em toda novela tivesse um deficiente. Concordo plenamente, pois poucas novelas abordam a inclusão e contratam atores deficientes de verdade. Quando acontece, é sempre o mesmo roteiro: a pessoa com deficiência é superprotegida, não ocupa nenhum lugar na sociedade e quer mudar isso ou a pessoa sofre um acidente que a deixa deficiente e ela passa por todo um processo para tentar se recuperar. Nos dois casos, os deficientes nunca têm um papel social que faça da sua limitação um mero detalhe. Até no cinema é assim.

Outra coisa é que, no mundo televisivo, não existe deficiente pobre. A pessoa sofre um acidente e fica tetraplégica em um capítulo e, no outro, a casa da pessoa já está toda adaptada, tem um carro também adaptado a esperando na saída do hospital e uma cadeira de rodas, motorizada, brilhando no meio disso tudo. Sinto informar que, na grande maioria dos casos da vida real, não é assim que funciona. Só para você ter uma ideia, a cadeira de rodas que tenho atualmente – que não é motorizada, é bem simples – eu esperei quatro anos para receber do SUS. As coisas não são tão fáceis quanto fazem você acreditar que são.

Nisso tudo, o que mais me chateia é não ver deficientes exercendo papeis importantes nem na arte nem na vida. É difícil você ver pessoas com determinadas limitações em palcos, TVs, universidades, festas… Até hoje, nunca vi um deficiente sendo médico, advogado, cineasta, gerente de algum estabelecimento… O deficiente não é visto pelas suas capacidades, mas, sim, pelas suas limitações, porque, até quando ele consegue superá-las, ele não é visto como uma “pessoa normal” e, sim, como um herói, um exemplo de vida.

Voltando para o entretenimento, queria muito poder dizer que essa situação está mudando e, quem sabe um dia, teremos pessoas com deficiência participando do Big Brother, mas não dá para ser tão surrealista assim. O fato é que, assim como na sociedade, no entretenimento, a gente ainda não tem espaço, com raras exceções. Vocês já pararam pra pensar que nenhum programa de TV aberta, que costumamos ver, tem intérprete de Libras? Nem nos jornais tem. Os vídeos do YouTube também não são diferentes.

Por isso que as pessoas ainda pensam que deficiente não se diverte, não sai, não estuda, não namora, não trabalha e, quando veem isso acontecer, ficam espantadas. Assim, viramos “super seres humanos”. Quando vão entender que, independente da nossa deficiência, somos pessoas com qualidades, defeitos, vontades, gostos…? Existem canais pequenos no YouTube que são feitos por deficientes e eu não sei se posso considerar isso como uma pequena abertura no entretenimento para pessoas com deficiência tentarem fazer um conteúdo legal e mostrarem seus talentos. Talvez sim.

Espero que este texto faça vocês refletirem e que possamos discutir mais sobre isso para tentarmos mudar esta nossa realidade. Até a próxima!

Como manter uma boa relação

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

unnamed

Como psicólogo e coach, já tive a experiência de atender alguns casais e pude perceber que a maioria dos conflitos se dão numa disputa de ego de quem está com a razão. Se pararmos para pensar no porquê de querermos ser os donos da “verdade”, veremos que se trata de uma herança cultural que é de ordem filosófica e capitalista.

Capitalista no sentido de sermos incitados em casa, na escola e no trabalho, a competir com o outro pelo “1º lugar”. Filosófica por uma herança cartesiana, onde Descartes difundiu a dicotomia do “ou” (tudo se resume a uma coisa ou outra). Logo, perdemos a noção de meio termo ou de múltiplas verdades, que podem convergir em vez de divergir. No entanto, contagiados por ambas influências, tendemos a disputar e impor uma única verdade: a nossa.

De certa forma, a competitividade, sendo bem administrada, impulsiona bem carreiras e esportes. Basta que se mantenha o respeito e a integridade. Porém, ao pensarmos em relacionamentos a dois, o casamento não pode se tornar uma união regida por disputas, pois não se trata de uma competição. Cônjuges não são adversários. O casamento traz como fundamento o respeito e a cumplicidade. Por isso, devemos aceitar e saber lidar com as diferenças, assim como apoiarmos toda ação que fortaleça a relação.

Muito se fala em se casar por amor, mas, acima de tudo, deveríamos casar para amar. Afinal, se somos culturalmente compelidos a alcançar os nossos objetivos, que o foco seja o da manutenção do amor e da relação. E, no caso da competitividade, que a disputa entre casais passe a ser: “Vamos ver quem de nós dois consegue fazer o outro mais feliz?”.

Dessa forma, se tanto na vida pessoal quanto profissional somos regidos por uma mesma herança filosófica, econômica e social, enquanto não redesenharmos a nossa conduta, que pelo menos mudemos o foco da nossa disputa. Se tratando de relacionamento, que vença o amor.

Este e outros artigos estão disponíveis em http://www.marciovaz.net/blog-news.