Resenhar ou não resenhar, eis a questão!

por Danielle Cardoso
estagiária de letras do Laboratório de Inclusão

RESENHA

Depois de dar sete dicas para escrever um artigo acadêmico, estou de volta, desta vez para fazer algumas considerações sobre o gênero textual “resenha”. Se alguém não entende a ideia de gêneros textuais, eu posso dizer que eles são estruturas textuais que se repetem, formando um padrão, através do qual um gênero é reconhecido. O reconhecimento do gênero não é feito somente por elementos linguísticos, mas também contextuais.

A frase com a qual intitulei esse texto aparece no segundo capítulo do livro Produção Textual na Universidade que trata sobre resenha e que foi minha base para escrever este texto. Vou tratar dos objetivos de fazer uma resenha, da sua estrutura básica e das diferenças entre resenha e resumo. Espero que eu contribua para o esclarecimento das dúvidas clássicas dos universitários acerca desse gênero. Vamos lá!

Qual é o objetivo de escrever uma resenha?

Todos nós, em algum momento, tivemos a necessidade de escrever uma resenha, mas nos perguntamos do que se trata isso. Esse gênero é muito usado para avaliar – elogiar ou criticar – o resultado de uma produção intelectual em uma área do conhecimento. Seja livro, filme, CD de música, esse produto receberá a avaliação sob algum ponto de vista ou ciência.

Avaliar é exatamente o objetivo desse gênero, em que a pessoa que escreve oferece uma opinião crítica sobre algo e a que lê busca essa opinião. O resenhador descreve e avalia determinado objeto, a partir de um ponto de vista já formado dentro de dada área do conhecimento. Assim, ao resenhar um livro sobre o feminismo, por exemplo, deve-se elogiar ou criticar a obra pelo que se sabe sobre esse movimento, os livros publicados pelo mesmo autor ou sobre o mesmo assunto e o impacto da obra nesse contexto.

Vale ressaltar que tal gênero pode ser usado em maior ou menor grau dependendo da área do conhecimento. Acredito que seja mais comum encontrarmos resenhas de livros e de filmes, sinalizando que as áreas da literatura (sejam quais forem) e as do cinema têm a tradição de resenhar, diferentemente da área da música, das artes plásticas etc.

Qual é a estrutura básica da resenha?

Ao resenhar, desenvolvemos quatro ações: apresentar, descrever, avaliar e recomendar ou não o produto. Essas ações tendem a aparecer nessa ordem e podem variar de extensão e frequência. O autor é quem decide o que vai focar mais. Desse modo, a resenha pode ser mais descritiva ou avaliativa. Pode acontecer também que, dependendo do estilo do autor, essas partes apareçam juntas.

Lembrando que essa ordem de ações é uma tendência verificada em pesquisas ou observações de editores e autores de resenhas, não sendo uma regra para ser rigorosamente seguida. Uma dica que eu dou é começar com o nome da obra a ser resenhada e do resenhador. Se for uma resenha acadêmica, referenciar a obra de acordo com as normas da ABNT: autor, nome da obra, editora, local e data da publicação.

Diferenças entre resenha e resumo

Assim como a resenha, o resumo também é um gênero textual que, apesar de acompanhar outros gêneros, como o artigo acadêmico, e refletir a estrutura deles, o resumo pode ser analisado de maneira independente. O resumo sintetiza o que vem depois dele e, apesar de existir o resumo crítico, no qual você opina sobre o que está resumindo, o propósito do resumo é dar informações rápidas sobre o artigo, por exemplo.

Já a resenha tem como principal objetivo avaliar um produto, como já mencionei. Fora que a resenha não acompanha outro gênero e recomenda ou não um produto ou uma obra. Sei que são dois gêneros muito parecidos e que são confundidos até por professores universitários, mas acredito que a principal diferença seja os propósitos, a finalidade: um avalia, enquanto o outro sumariza o gênero que acompanha. Enfim, espero que tenha conseguido ser clara para que você, leitor, tenha entendido essas questões.

Nova lei da terceirização é tema de debate na UFC

Cartaz XIII Inclusão sem Censura

Promovido pelo Laboratório de Inclusão da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), o XIII Inclusão sem Censura traz, nessa edição, a temática “Reforma trabalhista: o que a terceirização traz de novo?”. O evento acontecerá no dia 21 de junho, a partir das 13h, no Auditório Valnir Chagas da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (FACED/UFC).

A conjuntura política e econômica do país tem passado por diversas mudanças e discussões polêmicas, propostas pelo atual governo, tais como a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista (PLC 38/17) e o Projeto de Lei que regulamenta a Terceirização (PL 4302/98), aprovado recentemente.

Por gerar divergências de opiniões, o Inclusão sem Censura propõe um debate sobre as consequências que a terceirização pode trazer para a sociedade como um todo. Alguns acreditam que a regulamentação da terceirização seja uma estratégia contra o desemprego e a crise econômica no país; outros a veem como uma perda de direitos trabalhistas. Os pontos mais discutidos, por ambos os lados, são a flexibilização das formas de contratação e a terceirização das atividades-fim.

Ressaltamos que, para a construção de um espaço democrático, é necessário desenvolvermos um diálogo pautado no respeito à diversidade de ideias. Esse entendimento à opinião do outro favorece um modelo de sociedade mais harmonioso, pois a democracia sobrevive a partir da convivência entre as diferenças humanas. Fundamentado nisso, o XIII Inclusão sem Censura promove esse debate para explicar a terceirização, a partir de argumentos favoráveis e contrários, e o que pode mudar com a aprovação desse projeto de lei.

Para compor a mesa, convidamos Fábio Sobral, economista, doutor em filosofia e professor da UFC, e Rodrigo Marinho, advogado, mestre em Direito Constitucional nas Relações Privadas, membro do conselho do Instituto Mises Brasil e professor da Unichristus. O evento será mediado por Ariadna Melo, estudante de serviço social da Universidade Estadual do Ceará (UECE), membro do grupo “Movimentos Sociais e Universidade” do Laboratório de Pesquisas e Estudos em Serviço Social (Lapess/Uece) e integrante do Grupo de Informação e Consciência Humana do Laboratório de Inclusão da STDS, que está promovendo o debate.

Realizado semestralmente pelo Grupo de Informação e Consciência Humana do Laboratório de Inclusão, o Inclusão sem Censura é um evento organizado e promovido por estudantes universitários e estagiários da STDS de diversos cursos, tendo como proposta gerar debates acerca de temas sociais de interesse público. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no link: https://goo.gl/forms/HzmNZsPSkYbxqdDf2. Será emitido certificado de participação no dia do evento.

Programação
13h00 – Inscrições
13h30 – Abertura e apresentação
14h00 – Mesa Redonda: “Reforma trabalhista: o que a terceirização traz de novo?”
Mediador: Ariadna Melo, estudante de serviço social e integrante do Grupo de Informação e Consciência Humana.
Palestrantes: Fábio Sobral, economista, doutor em filosofia e professor da UFC, e Rodrigo Marinho, advogado, mestre em Direito Constitucional nas Relações Privadas, membro do conselho do Instituto Mises Brasil e professor da Unichristus.
16h00 – Debate
17h00 – Encerramento

SERVIÇO
XIII Inclusão sem Censura: “Reforma trabalhista: o que a terceirização traz de novo?”
Quando: 21 de junho (quinta-feira), às 13h
Onde: Auditório Valnir Chagas da FACED/UFC (Rua Waldery Uchôa, 1 – Benfica)
Inscrições: https://goo.gl/forms/HzmNZsPSkYbxqdDf2
Evento no Facebook: http://bit.ly/2qdG5iW
Mais informações: (85) 3101-4583 e 3101-2123 ou labdeinclusao@gmail.com
Gratuito

Gestão do comportamento: como manter novos hábitos?

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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No artigo anterior, falamos sobre gestão dos pensamentos e como materializa-los através de processos. Ou seja, colocar no papel nossa meta, com prazo e ações definidas para sua realização. No entanto, somos mestres em iniciativas, mas doutores em desistências. Quantas vezes iniciamos projetos sem acabativas? Abandonamos nossos sonhos pela metade do caminho por razões diversas: medo, descrença, preguiça, baixa autoestima, procrastinação, insegurança etc.

São mecanismos de autossabotagem, que mascaram a realidade com desculpas e justificativas que minam as nossas expectativas. Afinal, reforçamos nossos pensamentos negativos a cada nova frustração. Por exemplo: “se acredito ser difícil emagrecer, ao desistir de mais uma dieta, convenço-me de que estou certo”; “se creio ser complicado liderar, dou-me por vencido, ao ser criticado, contestado e desacreditado pelos meus liderados”. Enfim, temos pensamentos e comportamentos que se retroalimentam a todo momento.

Compreenda como funcionam nossas crenças e por que elas influenciam e reforçam nossos comportamentos. Vou exemplificar com uma “crença feminina”, mas que serve para ambos os sexos. Se você, mulher, nasceu em um lar cujo discurso familiar é de que “homem não presta”, há uma forte tendência – uma vez internalizada esta crença – que ao se relacionar, futuramente, você entre nessa relação cheia de resistências por desacreditar do resultado.

Tal crença, provavelmente, instalará comportamentos como insegurança, desconfiança, ciúme excessivo etc, o que poderá contribuir para o declínio da relação e, por sua vez, o reforçamento de que “homem não presta”. A medida que a pessoa se frustra, potencializa suas crenças e reforça seus comportamentos. Então, você pode se perguntar: “o que devo fazer para iniciar e manter novos comportamentos?

Primeiramente, para inicia-los, liberte-se de suas crenças limitantes. “Dinheiro não traz felicidade”, concordo, mas ajuda a sofrer com dignidade. “Eu não sou capaz” ou “Não sou merecedor”, ok, mas, mesmo assim, arrisque-se, pois pode ser que você sofra apenas de insegurança. Não cultive na sua mente algo que está podando a sua capacidade. O ser humano é capaz de feitos espetaculares, mas antes tem que acreditar nas suas possibilidades.

Lembre-se que, quem vos escreve aqui, está digitando com a boca e teve sua vida transformada quando mudou a sua forma de pensar e agir. Porém, mudar não é uma tarefa fácil e nem ocorre da noite para o dia. Até porque, quando idealizamos uma meta, ela se apresenta linear, mas, na prática, descobrimos que o trajeto é cheio de obstáculos, o que nos leva a fraquejar e desistir. Vou passar aqui, uma dica de como manter novos hábitos: encare suas dificuldades e problemas como um desafio necessário a ser superado. Trago como exemplo uma experiência pela qual passei, que ilustra bem o que quero dizer.

Quando eu era acadêmico de psicologia, estagiei em diversas unidades, mas, em uma delas, fui assediado moralmente por minha supervisora. Todos os meus “passos” eram tolhidos, além de ser severamente coagido ao expressar qualquer opinião. Até que, certo dia, fui chamado à coordenação, onde a coordenadora mostrou-se solidária a minha situação, pois reconhecia a dificuldade que a profissional tinha: manter boas relações. Na ocasião, fui questionado se precisava que ela interviesse no caso ou se eu preferia ser transferido para outro setor. A minha resposta foi categórica: “Peço que nem intervenha nem me transfira, pois eu sou aluno de psicologia e, caso eu não saiba lidar ou contornar esta situação, é porque escolhi errado a minha futura profissão”.

Pois bem, sendo minha vontade atendida, após seis meses, a supervisora se tornou uma grande parceira de atividades e amiga da vida pessoal. Brinco que para ela era Deus no céu e Márcio na terra, pois passei a ser respeitado e solicitado para toda intervenção. Tal feito só aconteceu porque, em vez de fugir do problema, resolvi encara-lo como um desafio a ser vencido. Para tanto, fui beneficiado não só com a superação de um obstáculo, mas me vali e desenvolvi, igualmente, diversas competências para conseguir reverter o cenário. Aprendi o poder da comunicação assertiva que nos revela o que, por que, quando e como falar.

Na vida, os maiores aprendizados são os práticos, pois, para trabalhar a minha paciência, preciso conviver com a diferença. Para aprender a perdoar, alguém terá que me magoar. Para saber viver, tenho que me reinventar a cada nova conjuntura. Por isso, não se esquive ou fuja dos contratempos, desafie-se para crescer. Acredite no seu potencial e apegue-se às suas metas. Hoje, considero-me um expert das relações. Todavia quem mais me ensinou não foi a psicologia ou o coaching, mas, sim, a faculdade da vida.

P.S.: Este texto que você leu com reflexões e dicas não será nada mais do que palavras, se não for experimentado. Não acredite no que estou dizendo, apenas se permita provar e adotar novas ações para ver no que vai dar. Einstein já dizia: “insanidade é agir sempre da mesma forma e esperar resultados diferentes”.

Este e outros artigos estão disponíveis em http://www.marciovaz.net/blog-news.

Acessibilidade também é atitudinal

por Danielle Cardoso
estagiária de letras do Laboratório de Inclusão

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Em quase toda minha vida, faltou-me acessibilidade estrutural. Onde eu ia, havia escadas, batentes, espaços pequenos com portas estreitas. Isso era em escolas, casas de amigos e parentes, hospitais, entre diversos outros lugares. Hoje, não mudou muito, já que estudo no Centro de Humanidades (CH) da Universidade Estadual do Ceará (UECE), que está se tornando acessível agora, e moro em um local com ruas sem asfalto e calçada alta. No entanto, sempre me apoiei e apoio na acessibilidade atitudinal das pessoas.

No começo, ainda quando eu era criança, pensava que fosse só o esforço da minha mãe que tornava as coisas possíveis para mim. O termo “acessibilidade” era pouco conhecido e, obviamente, eu não tinha a mínima ideia de que era uma causa política, que muito tinha de ser debatida. Então, até minha adolescência, era como se eu tivesse sozinha, tentando viver em um mundo que não foi feito para mim e achando que isso era normal.

Quando fui cursar o ensino médio, algo se abriu na minha cabeça, pois a escola era toda adaptada e, pela primeira vez, um diretor disse à minha mãe que eu tinha direito de estudar lá. Vale ressaltar que era uma escola pública. Daquele momento em diante, não parei de aprender e perceber que eu não estava só na luta por acessibilidade, que agora sabia o que era. Entretanto, eu realmente conheci a causa das pessoas com deficiência quando entrei na universidade.

Percebi que tudo que minha mãe e eu víamos como favor, bom senso, era direito meu, defendido por lei, inclusive. Também me dei conta que, mesmo tendo direitos, havia situações em que só atitudes poderiam garantir meus direitos. Por exemplo, eu não poderia exigir que a UECE se tornasse acessível como em um passe de mágica, nunca havia tido um cadeirante lá e a estrutura do CH não mudaria só por mim nem tão rápido como eu precisava.

No entanto, alguns funcionários e alunos de lá estavam cheios de vontade de me ajudar, de me proporcionar a garantia do meu direito de estudar por meio de atitudes.  Quando eu tinha que assistir a alguma palestra no andar de cima, havia funcionários para me subirem; a secretária do turno da manhã logo colocou minhas disciplinas em apenas uma sala acessível; a coordenadora do curso foi na minha sala para falar que eu estava preparada para a universidade, mas esta não estava preparada para mim, logo a culpa daquela situação não era minha e que eu tinha que continuar para ensinar o CH o que era acessibilidade e inclusão.

E foi assim que surgiu, para mim, o termo “acessibilidade atitudinal”, que me serviu muito quando a estrutural me faltou. Com a credibilidade dos professores na minha capacidade e disposição para me incluir, eu comecei a tirar notas boas e conquistei confiabilidade. Com alguns amigos, eu pude mostrar como se fazia inclusão também fora da sala de aula. Com apoio de quase todos, criei uma consciência inclusiva e acessível na UECE. Hoje, o CH ainda não está adaptado por completo, mas há o Serviço deAcessibilidade e Inclusão (Saci), do qual faço parte, que trabalha para garantir os direitos dos alunos com deficiência e tem tudo para evoluir ainda mais.

Do CH para a vida, a acessibilidade atitudinal continua facilitando minha vida. Toda vez que alguém me ajuda na rua, quando uma pessoa improvisa um jeito de me atender mais facilmente, quando, na falta de condição de estar presente no estágio, minha equipe aceita que eu faça minhas atividades em casa. Enfim, quando alguém tem a consciência de facilitar minha vida, eu vejo que minha luta vale a pena e que nem tudo está perdido. Seja você também o motivo do acreditar de uma pessoa, espalhe e pratique a ideia de que atitudes também podem garantir acessibilidade a alguém que precise.

A tragédia das demissões de pessoas com deficiência na STDS

Colaboradores com deficiência demitidos sem justa causa pela STDS poderão nunca mais ter outra oportunidade de trabalho na vida.

A constatação do “nunca mais” reflete nos estudos e experiências do Laboratório de Inclusão da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS) – nestes 26 anos de construção – na atual crise política brasileira de empregabilidade e no aumento significante das práticas de preconceitos contra trabalhadores com deficiência.

Lamentamos o momento difícil vivido na STDS, a partir dos cortes de verbas e desligamento de 10 colaboradores com deficiência, selecionados e acompanhados pelo Laboratório de Inclusão, provocando uma interrupção nos projetos de inclusão individualizados dessas pessoas. Já perdemos 65% da capacidade de inclusão social.

O Laboratório já organizou um grupo técnico para orientar e encaminhar essas pessoas desligadas sem justa causa para empresas que disponibilizam vagas para pessoas com deficiência, mas não está fácil. O mercado continua muito fechado, principalmente em se tratando de trabalhadores com deficiência. A maioria das pessoas desligadas terão dificuldades em voltar a trabalhar um dia devido às características da deficiência e ao nível dos relacionamentos expostos aos preconceitos.

Questionamos sobre a economia que o Estado terá com essas demissões, uma vez que os investimentos nos projetos de inclusão ultrapassam bem mais de duas décadas. Por exemplo, para que uma dessas pessoas demitidas pudesse atingir o nível de empregabilidade, foram utilizadas mais de 10 pessoas – entre técnicos, estudantes universitários, pessoal de apoio e entidades parceiras – trabalho este desenvolvido há, aproximadamente, 10 anos. Além disso, participaram de oficinas de capacitação e projetos de estágio do primeiro emprego, também realizados pelo Laboratório.

O desmonte, sem critério técnico, dos projetos de inclusão de pessoas com deficiência na STDS, vem provocando uma verdadeira tragédia nos destinos das pessoas incluídas. A interrupção drástica destas inclusões torna as previsões em exclusões irreversíveis. É um retrocesso em ternos de construção e manutenção de políticas públicas. A insegurança política vivida no Brasil, invade e danifica qualquer política pública. Fica difícil a sobrevivência e continuidade dos projetos de inclusão social.

E, no meio disso tudo, um pequeno Laboratório de Inclusão, centro de estudos, pesquisas e desenvolvimento de projetos de inclusão social para pessoas com deficiência e vulnerabilidade social, tenta sobreviver dignamente, sem apadrinhamentos políticos. Ao mesmo tempo, torna-se visivelmente vulnerável diante de uma crise ética que parece não ter mais fim. É impossível reconstruir um país, inundado pela corrupção, sem inclusão social.

Abaixo, vídeo feito com alguns colaboradores e ex colaboradores da STDS:

7 dicas de como escrever um artigo acadêmico

por Danielle Cardoso
estagiária de letras do Laboratório de Inclusão

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Olá, pessoal! Pra quem não me conhece, meu nome é Danielle Cardoso, sou estagiária do Laboratório de Inclusão, curso o oitavo semestre de Letras na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Quero dividir um pouco de tudo que aprendi e estou aprendendo por meio de dicas que vou escrever aqui para vocês. Espero que gostem e que mandem sugestões sobre o que vocês têm dificuldade na área do português que tento responder aqui nos próximos textos.

Para começar, eu resolvi trazer algo simples, mas que deixa muita gente desesperada. Afinal, parece que essa é uma das funções do artigo acadêmico, não é mesmo? Brincadeiras à parte, o objetivo do artigo acadêmico é disseminar conhecimento, mostrar para os pesquisadores, professores e comunidade em geral o que está sendo estudado e, principalmente, as descobertas feitas na academia. Por isso, é tão importante publicar artigos e também por isso, há tanta pressão. Essa prática pode trazer muitos retornos positivos e ajudar demais na carreira de pesquisador.

Portanto, eu separei cinco dicas de como fazer o temido artigo acadêmico. Só para ressaltar, vou me basear em um livro chamado Produção Textual na Universidade das autoras Désirée Motta-Roth e Graciela Rabuske Hendges, publicado em 2009.

1. Escolha o tipo de artigo e o tópico (assunto) que vai escrever

Existem três tipos de artigos, que, resumidamente, são: o de revisão de literatura, que só trata da teoria; o empírico, que relata uma observação, não necessariamente de uma pesquisa, mas de uma experiência em geral; e o artigo experimental, que reporta uma pesquisa, um experimento montado para testar hipóteses e que é o mais comum. Esse assunto merece outro texto. Mas, voltando, a primeira tarefa que você deve fazer é escolher o tipo de artigo que mais se adequa a sua intenção.

A outra tarefa é decidir sobre o que você escreverá. Podemos chamar isso de escolha de tópico. Para definir o tópico, a leitura é fundamental, pois alimenta a escrita. Por isso, devemos selecionar uma bibliografia relevante dentro da nossa área de estudo. Não há uma ordem: você pode primeiro detectar o problema a ser estudado e depois selecionar a bibliografia ou você pode ler publicações que relatem pesquisas ou reflexões teóricas e encontrar uma lacuna que você pode preencher com seu artigo.

Audiência

O artigo acadêmico, assim como outros gêneros, requer que você conheça o público que lerá seu artigo. Provavelmente, serão pessoas que já têm conhecimento do assunto e que procurarão em seu artigo uma informação nova. Logo, devemos acertar o tom, encontrar o equilíbrio entre o conhecido e o novo. Não podemos achar que tudo é óbvio e só dar informações novas, nem podemos sair explicando tudo. Por isso, é importante definir uma relação com nosso público ou, pelo menos, imaginá-lo para que, assim, possamos contar com o conhecimento prévio do nosso leitor.

Estratégias de apresentação

Na escrita de um artigo, existem várias estratégias para apresentar seu ponto de vista e dar confiança ao leitor no relato de sua pesquisa ou reflexão da teoria. Vejamos quatro dessas estratégias:

a) Articular seu texto com a literatura já publicada na área;
b) Estabelecer relações com pesquisas anteriores;
c) Inserir sua pesquisa num contexto mais amplo por meio da citação de várias pesquisas relacionadas entre si e com o seu trabalho;
d) Apontar falhas em sua própria pesquisa.
Não explicarei uma a uma, pois este texto ficaria enorme, mas posso explicar em outro momento, caso alguém tenha alguma dúvida.

Organização

Basicamente, este item trata da clareza que o seu artigo precisa ter para ser entendido. Uma estrutura textual clara e objetiva ajuda a leitura das informações, uma vez que o leitor já tem em mente como se organiza um artigo (introdução, desenvolvimento e conclusão). Isto é, fazer uso de subtítulos para orientar o leitor, para que ele possa antecipar o tipo de informação que virá.

Estilo

Em gêneros acadêmicos, como o artigo, predomina um formalismo geral no tom, alcançado por certas estratégias, como escolher alternativas mais preciosas e formais ao selecionar o vocabulário que usaremos. Exemplo disso é que quando você escreve “o autor diz”, fica algo muito informal e impreciso. Você pode trocar a expressão por “o autor afirma”, que torna tal expressão formal e específica.

Desenvolvimento da informação

O texto do seu artigo deve evoluir, de forma clara e lógica, de uma ideia a outra. Essas ideias devem estar conectadas progressivamente, isso vai facilitar que o leitor acompanhe o desenvolvimento do texto. Para que isso aconteça, é preciso que você tente usar, eficientemente, palavras que desempenham o papel de conectores (“portanto”, “assim”, “entretanto”, “porque”), assim como fazer uso de pontuação adequada. Essas estratégias textuais são valiosas para o estabelecimento de uma progressão gradativa de informações.

Apresentação final do texto

Para finalizar seu artigo com sucesso, revise o texto. É fundamental que você deixe o texto “descansar” por algum tempo, para que depois você possa olhar para o seu próprio texto com certo afastamento. Leia em voz alta, veja como as informações lhe soam, se for preciso, refaça as estruturas textuais. Seu artigo vai ficar com ótima qualidade.

É isso, pessoal, espero que essas dicas ajudem vocês a escrever seus artigos mais facilmente. Mandem suas dúvidas e boa sorte com suas publicações. Até o próximo texto!

Gestão dos pensamentos: como “andam” os seus?

por Márcio Vaz,
palestrante, psicólogo e coach

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Sobre Gestão dos Pensamentos. Reflita a seguinte frase de Henry Ford:

“Se você pensa que pode ou pensa que não pode,
de qualquer forma você está certo”.

De fato, os nossos pensamentos governam as nossas ações. Por isso, só ajo, quando acredito em mim e na possibilidade dos meus resultados. Caso contrário, ficamos estagnados, presos a crenças negativas que limitam nossos passos (afinal, se não consigo, por que arriscar?). Porém, não basta pensar positivo, faz-se igualmente necessário trabalhar a nossa autoestima e autoconfiança. Então, o que devo fazer?

Segundo Sigmund Freud, o pensamento é o ensaio da ação. Ou seja, tudo se inicia na mente, por meio de um desejo. No entanto, de que vale desejar se não realizar? Logo, se você está insatisfeito com os seus resultados ou com a vida que leva, faz-se relevante analisar aqui, dois aspectos: que tipo de pensamento ando produzindo? Tenho planejado minhas ações?

Caso você seja do tipo que pensa negativo e, carrega consigo, um vasto repertório de desculpas e lamúrias que justificam o seu martírio, as razões de suas frustrações são óbvias. Mas, caso pense positivo e, ainda assim, nada aconteça, vamos compreender primeiramente, a importância de se registrar os pensamentos para que, no próximo texto, eu traga dicas de como mudar e manter novos comportamentos.

O pensamento, ao habitar somente o campo das ideias, torna-se impreciso, pois fica na dependência da nossa memória e se perde entre tantas outras histórias. Eu mesmo, quando decido escrever, faço uma prévia na mente, mas, ao digitar, esqueço-me de grande parte. Isso ocorre por diversas razões. Dentre elas, o bombardeamento de informações e ideias a que somos submetemos a todo momento. Nesse sentido, mesmo nos sentindo criativos e confiantes, somos pouco resolutivos. Penso até que o excesso de ideias (inovação) atrapalhe, porque ficamos indecisos e inseguros sobre o que, quando e como implementar.

Enfim, enquanto penso, formulo ideias que se perdem ao longo do tempo. Logo, o principal não é ser criativo, mas, sim, pragmático – transformar ideias em ações. Para tanto, precisamos antes rabiscar, materializar a ideia no papel. Defini-la e torná-la específica de forma clara e objetiva, estipulando prazos e ações. Torne seu sonho visível, cole suas anotações e ilustrações na cabeceira da cama ou no birô do escritório, gerando o hábito de verificar seus objetivos e metrificar seus avanços, diariamente.

Em relação a sua autoestima, não seja apenas um “consumidor de conteúdos”, inseguro, que por mais que aprenda, nunca se sente preparado para atuar. Pois, ao meu ver, quem se planeja e põe em prática o pouco que sabe, obtém melhores resultados do que quem “tudo” sabe e nada faz. Fica a dica: não alimente sua insegurança, aja.

Lembre-se: o pouco que você sabe, pode ser muito para muita gente. Quando nos comprometemos, disciplinamos e adotamos processos, os resultados esperados tornam-se meramente uma questão de tempo.

Este e outros artigos estão disponíveis em http://www.marciovaz.net/blog-news.