Aprenda a se planejar

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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Está chegando um Novo Ano e com ele a renovação da nossa esperança. Embora 2018 ainda não tenha terminado ou mesmo correspondido com as suas expectativas, a virada de ano representa a oportunidade de fazermos a diferença em nossas vidas por mais 365 dias.

Porém, entra ano e sai ano, sem que alguns sonhos/metas sejam realizados. E não me refiro aqui, a concluir um ano completamente realizado, pois a realização é um ideal que nunca tem FIM. Até mesmo porque, uma vida plena é sem propósito e perde o seu significado de existir. O bom mesmo é vivermos para o que nos falta, para que possamos valorizar cada nova conquista.

Assim seguimos reinventando nossos passos, para que nos levem a novos resultados. No entanto, a questão é: Por que, às vezes, é tão complicado se alcançar certos objetivos? Sejam eles: Perder peso; Arranjar um emprego; Ser reconhecido e promovido no trabalho; Realizar uma viagem dos sonhos; Manter um bom relacionamento com o cônjuge/filhos etc.

As respostas para essas dificuldades geralmente vão estar na sua mudança de hábitos. E o que devemos fazer para mudar nossos hábitos? Existem “duas formas” de gerar essas mudanças, sendo uma técnica e outra sobre forte impacto emocional.

A mudança sob Forte Impacto Emocional, não funciona como regra, mas pode acontecer ao nos depararmos com o caos. A exemplo: uma pessoa que antes dizia não ter tempo para caminhar, muda seus hábitos após infartar. Ou uma pessoa que tem dificuldade para emagrecer, começa a perder peso e malhar, ao terminar um relacionamento mal resolvido. No meu caso, mudei o meu comportamento em relação ao trabalho, após meu pai ter infartado e, ao assumir as responsabilidades de casa, descobrir que estávamos falidos.

Enfim, embora a DOR também possa ser um MOTIVADOR, o ideal mesmo é mudarmos pelo AMOR e o COMPROMETIMENTO com a nossa existência. Afinal, como sempre digo, a vida é muito curta para ser desperdiçada. Por isso, não deveríamos viver de qualquer jeito, evitando a “Síndrome Zeca Pagodinho – Deixa a vida me levar”.

Agora, ao falarmos em mudanças de hábitos em termos técnicos, existem infinitas técnicas, mas vou compartilhar a importância de iniciarmos o ano nos PLANEJANDO de forma CLARA e ESTRATÉGICA.
Antes de continuar a ler, pare e responda mentalmente esta pergunta: VOCÊ JÁ SE PLANEJOU ESTRATEGICAMENTE?

Caso a sua resposta tenha sido NÃO, saiba que você se planeja estrategicamente praticamente todo dia. A única diferença entre você e uma empresa, é que no seu caso o planejamento ocorre de modo informal e não é registrado (por escrito). Mas, comumente, você planeja algumas atividades do seu próximo dia, sejam profissionais, como fazer uma ligação ao cliente, ou pessoais, como levar o filho a uma consulta médica.

Para você compreender melhor, o que quero dizer, reflita que, quando vamos viajar, a depender da quantidade de dias, PLANEJAMOS quantas roupas iremos levar, o valor em dinheiro, qual o melhor trajeto, promoções, milhas, hotéis etc. Já o fator ESTRATÉGICO se dá, quando levamos alguns remédios, caso venhamos a adoecer; roupas de frio, caso venha a esfriar; ou qualquer nova tomada de decisão sobre algo que não saiu conforme planejado. Ou seja, podemos nos prevenir estrategicamente de possíveis ameaças, assim como, contornar os imprevistos.

No entanto, perceba que, quanto menos planejarmos ou partirmos na pressa, maior será a probabilidade de “falhar”. Logo, ao chegarmos no local de destino ou ainda no caminho, será comum dizer: “esqueci a minha carteira do plano de saúde”, “deixei o carregador do celular no quarto”, “não lembrei de trazer a minha escova de cabelo ou de dente” etc.

Posto isto, o que vou propor aqui, é um modo prático e mais assertivo de se atuar, caso você adote este simples hábito de se planejar. Tal proposta serve tanto para a vida pessoal, quanto profissional, variando só o objetivo e as estratégias. Eu uso esse modelo com meus clientes, até para preparar uma reunião ou apenas um diálogo com seu funcionário, filho/filha, esposo/esposa etc. Afinal, até uma comunicação quando planejada, torna-se mais assertiva, uma vez que tudo pode ser dito, a questão é: COMO é dito.

Em resumo, se Planejar Estrategicamente é pensar: O que? Quando? Por que? Como? Diante de um desafio. Agora vou explorar cada ponto.

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

O QUE?
Sempre traga de forma clara e específica O QUE você quer alcançar para poder se planejar melhor. Afinal, toda meta fica mais fácil de ser alcançada quando trabalhamos com posse dos dados e fatos. Logo, não basta traçar como meta 2019 “Quero Emagrecer”, especifique quantos quilos você quer perder. Caso queira comprar uma casa, saiba onde será, quais as dimensões, quanto custa, o valor do financiamento etc. Pois, só assim, você poderá criar o seu Plano de Ações, definindo quais serão os próximos passos a serem adotados para alcançar tais resultados. Quando nossos dados não são claros, fica mais complicado saber por onde começar.

QUANDO?
Tão importante quanto especificar uma meta é estipular um prazo, pois quando não determinamos uma data, os nossos objetivos podem ser alcançados hoje, amanhã, depois ou nunca. Por isso, sempre estabeleça se a sua Meta é de Curto, Médio ou Longo Prazo, definindo uma data para poder desmembrar e metrificar (medir) seus avanços. A exemplo, se você especificou que quer perder 10 quilos, pense agora, em quanto tempo? Caso decida por 5 meses, a sua meta passa a ser em média – 2 quilos por mês, 500 gramas por semana e 70 gramas por dia.

Caso você queira fazer uma viagem, mas o investimento de “8 mil” ainda não caiba no seu bolso. Em vez de desistir, planeje-se em médio ou longo prazo e já comece a dar os seus primeiros e pequenos passos diários. Pois, na maioria das vezes, nos assustamos com o ponto de chegada (8 mil / 10Kg) e abortamos a partida. Mas, se você planejar essa viagem para daqui a 2 anos, verá que terá que economizar “apenas” 333,00 reais pôr mês, 83,00 reais por semana e 11,00 reais por dia.

Ou seja, quando aumentamos os prazos e diluímos as metas, os nossos objetivos tornam-se mais próximos, pois você passa a se apropriar das suas ações diárias, em que talvez economizar os 11,00 reais do dia, esteja somente em diminuir a despesa com o cafezinho, o lanche da tarde etc. Ou vender um “doce” por dia para aumentar a receita. Enfim, tudo é uma questão de visão, organização, determinação, prioridade e persistência.

POR QUE?
Sempre que você criar uma meta e definir um prazo, escreva o porquê do seu objetivo, pois, acredito, que quando o seu PORQUÊ ou o POR QUEM é muito FORTE, o COMO e o DE QUE JEITO você vai alcançar a sua meta, deixa de ser um peso e passa a se tornar prioridade. Mas, lembre-se que, você deve ser honesto(a) consigo mesmo(a). Se o seu propósito for ficar RICO(A), para comprar uma Ferrari ou uma bolsa Louis Vuitton, não se preocupe com o que os outros vão pensar ou se o seu objetivo é “nobre” como o de “salvar a humanidade”. Apenas siga seus sonhos e esteja alinhado(a) com o seu propósito para que ele se torne sustentável. Para manter-se motivado, o seu porquê tem que ser forte e verdadeiro.

COMO?
O como é a parte estratégica. Está contido nos passos que você vai dar para alcançar seus objetivos. Uma vez que a sua meta está mais Clara, com Data Determinada e Validada com um Grande Porquê, ficará mais fácil você decidir de que jeito Agir e o porquê Persistir. Caso tenha optado por EMAGRECER uns 10 quilos no prazo de 5 MESES porquê quer ENTRAR no vestido de noiva, defina seus possíveis passos como: Marcar Nutricionista; Ter acompanhamento psicológico; Fazer caminhada, corrida, pilates e/ou academia; Iniciar uma reeducação alimentar sustentável; Comer mais devagar e em menos espaço de tempo etc.

O importante aqui no COMO, é evitar as desculpas e justificativas, encontrando os meios que se encaixem a sua realidade de vida. Se você for faxineira, faça da sua faxina uma academia para a queima de calorias. Se você sente dores e não pode fazer academia, faça pilates e/ou hidroterapia. Se você está sem dinheiro, faça caminhada ao ar livre e aproveite a “liseira” para manter a dispensa “limpa” (brincadeira). Na verdade, crie novos planos para melhorar a sua vida financeira.

Por fim, use a técnica do THE, que se resume em THE VIRA, pois ninguém disse que seria fácil ter os sonhos realizados. Até mesmo porque, se fosse fácil, todo mundo seria promovido, empresário, magro, rico, bonito, bem sucedido, desenrolado, autoconfiante, comunicativo etc. Nesse sentido, deixaria de existir a lei do maior esforço, em que os que se destacam da maioria – é pela meritocracia.

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XV Inclusão sem Censura “Aborto legal: Um debate acerca da (des)criminalização”

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Promovido pelo Laboratório de Inclusão, da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS) do Governo do Estado do Ceará, o XV Inclusão sem Censura traz, nesta edição, a temática “Aborto legal: O direito de quem? Um debate acerca da (des)criminalização”. O evento acontecerá no dia 14 de novembro, a partir das 13h30, no Auditório Professor Valnir Chagas (FACED – UFC).
 
Realizado semestralmente pelo Grupo de Informação e Consciência Humana do Laboratório de Inclusão, o Inclusão sem Censura é um evento organizado e promovido por estudantes universitários e estagiários da STDS de diversos cursos, tendo como proposta gerar debates acerca de temas sociais e políticos de interesse público.
 
A escolha do tema surge a partir da recente conjuntura sociopolítica em nosso país, a exemplo do Projeto de Lei nº 882/2015, do deputado federal Jean Wyllys e ainda pendente de deliberação, que estabelece as políticas públicas no âmbito da saúde sexual e dos direitos reprodutivos. Além do Brasil, os árduos debates e manifestações contrárias e a favor da legalização do aborto vêm ocorrendo a nível internacional, como na Argentina e Polônia.
 
Tendo em vista haver um número considerável de países onde o procedimento é permitido, em contraste a muitos outros, em que se observa proibição completa ou parcial, a legalização do aborto traz diferentes concepções sobre o conceito de vida; de ser ou não uma questão de saúde pública; do papel do Estado; a força do movimento feminista; as influências religiosas; as divergências culturais; os valores morais; os fatores socioeconômicos; a eficácia dos métodos contraceptivos; a prática clandestina do aborto; a objeção de consciência médica; a educação sexual e reprodutiva, dentre outros aspectos relevantes para o debate sobre a legalização do aborto.
Para compor a mesa e debater o tema “Aborto Legal: O direito de quem? Um debate acerca da (des)criminalização”, convidamos:
Kylianne Monteiro, mediadora do XV Inclusão sem Censura. É graduanda em Serviço Social pela Universidade Estadual do Ceará; Integrante do Grupo de Informação e Consciência Humana e estagiária do Laboratório de Inclusão;
Ana Maria D’Ávila Lopes, bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, Mestre  e Doutora em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais. Pós-doutora sobre os direitos humanos das minorias e das pessoas em situação de vulnerabilidade. É professora titular do Programa de Pós-graduação em Direito Constitucional (Mestrado/Doutorado) da Universidade de Fortaleza – UNIFOR.; e
Liduina de Albuquerque Rocha, Médica obstetra formada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, com experiência em residência na Maternidade Escola Assis Chateaubriand e mestranda em Saúde da Mulher pela Universidade Federal do Ceará; Presidenta da Sociedade Cearense de Ginecologia e Obstetrícia e também Presidenta do Comitê Estadual de Prevenção à Morte Materna, Fetal e Infantil do Estado do Ceará.
 
Ressaltamos que, para a construção de um espaço democrático, é necessário desenvolvermos um diálogo pautado no respeito à diversidade de ideias. Este entendimento à opinião do outro favorece um modelo de sociedade mais gentil e harmonioso, pois a democracia sobrevive a partir da convivência entre às diferenças.
 
As inscrições são gratuitas, online e presencialmente, no início do evento. Será emitido certificado de participação do evento, com carga de três horas.
 
 
Programação
13h30 – Inscrições e credenciamentos
14h00 – Abertura e apresentação
Mesa Redonda: “Aborto legal: O direito de quem? Um debate acerca da (des)criminalização?”
Mediador: Kylianne Monteiro, graduanda em serviço social e estagiária do Laboratório de Inclusão.
Palestrantes: Ana Maria D’Ávila, professora universitária, doutora em Direito Constitucional e pós-doutora em Direitos Humanos; e Liduina de Albuquerque Rocha, médica ginecologista-obstetra e presidenta do Comitê Estadual de Prevenção à Morte Materna, Fetal e Infantil do Estado do Ceará.
15h45 – Debate com as perguntas do público
16h30 – Encerramento
 
 
SERVIÇO
XV Inclusão sem Censura: Aborto legal: O direito de quem? Um debate acerca da (des)criminalização
Quando: 14 de novembro de 2018, quarta-feira, às 13h30
Onde: Auditório Professor Valnir Chagas (FACED – UFC, Benfica, Rua Marechal Deodoro, em frente ao CLEC)
Mais informações: (85) 3101-4583 ou 3101-2123 ou labdeinclusao@gmail.com
Evento gratuito com emissão de certificado (carga horária: 3h).
Inscrições online e presencialmente, no início do evento.
 
Obs.: As inscrições presenciais estarão sujeitas à disponibilidade das inscrições online e da capacidade do auditório.

“Voltem para a Alemanha e façam com que isso não aconteça de novo!”

por Yanelvis Duret
intercambista alemã da UFC e estagiária do Laboratório de Inclusão

campo concentração

O fascismo está tomando conta de largas camadas da população brasileira. Ao escutar pessoas defender posições racistas, homofóbicas, sexistas e expressar um sentimento de superioridade, sinto uma grande indignação.

Depois de visitar três campos de concentração na Polônia, na França e na Alemanha e ter me jurado que o terceiro seria o último, considero mais importante do que nunca relembrar e relatar minhas experiências nessas “viagens” que mudaram minha percepção do papel que eu quero desenvolver na sociedade e me ajudaram na construção da minha identidade.

No ano de 2007 fiz uma viagem de estudos com o grupo da igreja da minha comunidade, onde eu era voluntária, para a cidade Auschwitz, na Polônia, onde se encontra o campo de concentração nazista mais conhecido. Nesse campo de concentração morreram mais de um milhão de pessoas, 90% deles judeus.

Eu tinha feito 17 anos e conhecia o passado da Alemanha, pelo menos sabia o que tinha aprendido nas aulas de História, porém, nunca antes tinha parado para pensar e refletir sobre o fato de que o fascismo tinha matado milhões de pessoas sistematicamente.

A viagem começou com uma visita no campo de concentração de Auschwitz, onde nós tivemos a possibilidade de ver os alojamentos e as câmeras de gás. Assim que entrei nesse lugar, eu senti a morte e a dor no ar. Segundo o guia explicava os métodos de extermínio, como as pessoas eram asfixiada, crianças utilizadas para experimentos médicos cruéis e macabros, resultava quase impossível para eu conter as lágrimas. Perto daquele campo de concentração, se encontrava Birkenau, também conhecido como Auschwitz II. Quando os judeus chegavam na Polônia, trazidos de todas partes da Europa, Birkenau era a primeira estação. Andando pelo campo, chegamos num lago. A terra estava molhada e mole, cheia de minúsculas pedras brancas. Nesse momento, o guia explicou que naquele ano tinha chovido tanto que a terra havia se movido. Aquelas partículas brancas eram resquícios das cinzas dos corpos cremados que os nazistas jogavam no lago. Esse chão, de repente, ganhou uma outra simbologia; eu senti que andava sobre cadáveres, senti vergonha. Pela primeira vez senti raiva e vergonha da humanidade.

Durante aqueles 7 dias me invadiu uma tristeza inexplicável. Eu não conseguia entender como o ódio, o preconceito e a supremacia podiam chegar ao extremo de realmente “acabar com uma ‘raça‘”.

O clímax da viagem foi o encontro com uma das pessoas que marcaram a minha vida: Kasimiersz Smoleń, aquele, então, um dos últimos sobreviventes do Holocausto, falecido em 2012. Kasimiersz Smoleń havia sido prisioneiro político de Auschwitz por formar parte da resistência polonesa. Numa roda de conversa, tivemos a oportunidade de escutar seu ponto de vista e lhe fazer perguntas. Ele afirmou que não sentia nem ódio nem rancor e à pergunta sobre a nossa responsabilidade como jovens alemães e o que nós poderíamos fazer, ele respondeu que a nossa responsabilidade era não repetir a história. “Voltem para a Alemanha e façam com que isso não aconteça de novo“, ele disse. Eu recebi essas palavras como as palavras de um profeta. Eu, que até então tinha me sentido cubana, membro importante da sociedade alemã sim, mas sempre cubana, pela primeira vez me senti alemã. Imediatamente, eu absorvi a culpa do passado e assumi a responsabilidade do presente, de fazer parte de uma geração de alemães que lutam para não permitir que a história se repita de jeito nenhum.

Já na Alemanha, dediquei grande parte do meu tempo como estudante ao trabalho contra o racismo e a discriminação, trabalhando com a comunidade judia e reforçando a memória do passado alemão.

Além de Auschwitz, visitei mais dois campos de concentração: Natzweiler, na França e Buchenwald, no leste da Alemanha.

Depois de ver montanhas de cabelos humanos, usados para fazer tapetes, as câmeras onde as pessoas eram asfixiadas, os fornos onde seus corpos eram cremados. Depois de ver as cinzas de homens, mulheres e crianças que foram mortos por causa da sua religião, sua identidade racial ou cultural, por causa de uma deficiência o sua orientação sexual e política e passar literalmente os restos dessas pessoas, entendi finalmente os trechos do poema Fuga da morte de Paul Celan: “Cavamos um túmulo nos ares, lá não se jaz apertado”.

Eu entendi que fascismo mata, extermina. E me comprometi como cubana, alemã e cidadã do mundo que sou, a denunciar e combater os atos e ideais que violentam a dignidade humana, não só na Alemanha, mas em qualquer lugar que for necessário.

Até quando? Boa reflexão.

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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Até quando você vai empurrar seus sonhos com a barriga? Até quando você vai arranjar desculpas e justificativas para permanecer onde está? Você é do tipo que deseja realizar diversos sonhos, mas deixa tudo para depois? Reclama da ausência de tempo, do pouco dinheiro para investimento e da falta de sorte e/ou oportunidades para sair do lugar? Você se sente uma pessoa injustiçada? Despreparada? Desmerecedora? Infeliz? Enfim, a sua vida não está boa, mas também não está ruim, o que lhe permite habitar na sua zona de conforto.

De fato, toda mudança requer esforço, comprometimento e demanda muita energia. Por isso, temos uma forte tendência a procrastinar, pois não queremos nos desgastar e/ou frustrar, ao sairmos de um estado já conhecido, embora não grato, para um total desconhecido, do qual não temos nenhuma Garantia. Nesse sentido, evitamos correr o risco de trocar o certo pelo duvidoso. Afinal, o que pode ficar melhor, também pode ficar pior. Quem nos garante? Logo, os nossos pensamentos e comportamentos estão acorrentados as nossas dúvidas, pois se tivéssemos certeza dos resultados, já teríamos mudado e arriscado a muito tempo. Correto?

Perceba que, somos tão apegados, inseguros e indecisos, que na hora de comprar um PRODUTO caro, como a exemplo de um carro, o fato de obtermos uma Garantia e poder Assegurá-lo, influencia fortemente nas nossas decisões. Isso ocorre, porque não queremos correr o risco de fazer investimentos a fundos perdidos. Acontece, que nem tudo na vida tem garantia, como o investimento em um treinamento, que embora tenhamos interesse em fazê-lo, raramente arriscamos, pois o retorno de um SERVIÇO prestado, é o nosso compromisso com o aprendizado e os resultados.

Logo, o que nos priva de arriscar, é a nossa ausência de fé, SABEDORIA, autoconfiança e autoestima para desbravarmos novos horizontes. Porém, como o conhecimento não é algo tangível, palpável e visível, fato que o “desvaloriza”, em um mundo materialista, continuamos a LUTAR e BRIGAR pelo que queremos, em vez de ATRAIR e CONQUISTAR. Pedimos FORÇA divina em vez de SABEDORIA. Assim como a frase de D. Elhers – “Não corra atrás das borboletas, mas sim, cuide do seu jardim, para que elas venham até você” – entendo a relação do homem/mulher, com o conhecimento, pois embora o mundo esteja cheio de pessoas desempregadas, correndo atrás de emprego, os mais preparados continuam sendo disputados e cobiçados pelas empresas.

Entramos aqui, no velho paradoxo de quem nasceu primeiro, “o ovo ou a galinha?” Ou seja, devemos nos preparar para arriscar ou arriscar para nos preparar? Muitas pessoas dizem que não investem em treinamentos, porque não tem dinheiro. Mas será que o fato de não investirem em conhecimento, não é o motivo pelo qual falta o retorno financeiro? Acredito cada vez mais que você vale o que Sabe e o que Faz. Afinal, o que você ainda não alcançou, é porque ainda NÃO SABE como alcançar, pois se soubesse, já teria alcançado. Isso faz sentido para você?

Embora pareça óbvio, o fato é que, se alguém já alcançou algo que desejamos realizar, é sinal que existe um “caminho das pedras” que nos leva até lá. Porém, erroneamente questionamos ou procuramos SABER o que a pessoa FEZ para conquistar tais RESULTADOS. O que de nada adianta saber, pois cada um de nós deve construir o seu próprio caminho. Até porque, dispomos de CONDIÇÕES desiguais e PONTOS de PARTIDAS completamente diferentes.

É por esse motivo que tendemos a seguir Gurus e abrir e-mails cujos títulos trazem: “3 Passos para Ficar Rico”; “5 Hábitos para Deixar de Procrastinar”; “Os 6 Segredos das Pessoas Prósperas”, “7 Ações para Perder Peso Rápido” etc. Enfim, “métodos e modelos infalíveis” para quem os criou, mas que não podem OFERECER GARANTIA para mais ninguém, pois vivemos em contextos diferentes. Na verdade, quem dera se a nossa realidade pudesse mudar ou os nossos sonhos fossem alcançados em tão poucos Passos, Hábitos, Segredos, Ações e Ensinamentos.

Nesse sentido, o melhor questionamento não é SABER o que o outro FEZ, mas sim, quem ele precisou se TORNAR para alcançar seus objetivos. Acredito piamente na meritocracia, em que colhemos o que plantamos, pois repassamos o que sabemos, logo recebemos o que merecemos. Se na melhor das hipóteses, seguir a fórmula dos “3 Passos para Ficar Magro”, der certo, vamos precisar de outro método de como se Manter Magro, porque a dieta e o exercício que faz você emagrecer, se não tiver alinhado com uma mudança de mentalidade e comportamento, de nada vai adiantar, pois cedo ou tarde, a sua mente e o comportamento diante das “gordices” irão fraquejar.

Desse modo, não é sustentável, conseguir emagrecer e continuar pensando como gordo. Se tornar empresário, mas pensar como funcionário. Ganhar uma fortuna em uma única jogada, mas permanecer investindo só em passivos. Até porque, toda fonte em que só se retira e não se repõe, uma hora seca. Por isso, se você deseja uma vida melhor, está na hora de DESEJAR também se TORNAR uma PESSOA MELHOR.

Lembre-se, a nossa vida não é uma corrida de 100 metros, mas sim, uma maratona sem fim. Sendo praticamente impossível vencer uma pessoa que nunca desiste. Porém, torna-se complicado ser persistente, quando não se obtém nenhum resultado. Ciente disto, reconheça que, provavelmente, o que pode estar lhe faltando é preparo para que suas ações sejam mais assertivas. A questão é: O que lhe impede de ser essa pessoa preparada? O que lhe faz Desistir, Desacreditar, Procrastinar? Se você ainda não sabe responder, volte a ler esse texto desde o começo, pois muito se resume em falta de FÉ (certeza), MEDO DE CORRER RISCOS e PREPARO.

Entenda, os seus sonhos só serão realizados quando você APRENDER a CRIAR os seus próprios PASSOS. Quando compreender o porquê da manifestação dos seus sabotadores? Enfim, a meu ver, toda conquista sustentável, se estabelece após um processo de autoconhecimento, que não se resume em passos preestabelecidos e fórmulas mágicas. Cada um deve criar o seu caminho, compreendendo a subjetividade e as peculiaridades das suas condições biológicas, psicológicas e contextuais.

Segundo Albert Einstein, “uma mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”. Descubra seu Melhor Caminho, antes que qualquer caminho descubra você. Se você quer realmente transformar a sua vida, tente mudar primeiramente a sua forma de Ser, Pensar e Agir. O caminho é árduo, mas é possível e recompensador.

Não tenha medo de Arriscar! Tenha medo de nunca Tentar! Invista em você, pois caro mesmo é perder seu tempo vivendo de qualquer jeito. A vida é uma oportunidade tão maravilhosa, que não deve ser desperdiçada. Se você leu até aqui, parabéns, você é rara. A maioria das pessoas desistem de tudo, inclusive da leitura, na metade do caminho. Em algum momento, até tem iniciativas, mas lhes faltam “acabativas”. Você já deu seu primeiro passo na resistência, agora CONTINUE E NÃO PARE MAIS.

Saiba o porquê das insatisfações

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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Você já deve ter ouvido falar sobre Inteligência Emocional, mas sabe identificar como ela se manifesta? Alguns acreditam tratar-se do controle das próprias emoções, como se pudéssemos comandar os nossos sentimentos e sensações. O pior é que trazemos uma concepção de mundo Cartesiano, em que tendemos a polarizar os opostos. Logo, se não acreditamos ter inteligência emocional, sentimo-nos emocionalmente “burros” (frágeis).

Passamos então a admirar as pessoas que concebemos serem inteligentes e fortes, como se nelas não houvessem ignorância e fraquezas. Trata-se da necessidade de criarmos e seguirmos heróis, cuja fortaleza torna-se a salvação. Desse modo, idealizamos um estereótipo surreal, de heróis ou modelos inexistentes, pois onde há fortaleza, também existe fraqueza. Afinal, não somos seres dicotômicos, dotados de Forças OU Fraquezas, Alegrias OU Tristezas, Qualidades OU Defeitos, Bondades OU Maldades etc. Na verdade, somos um POUCO de TUDO ao MESMO TEMPO – Fortes E Fracos, Inteligentes E Ignorantes, Corajosos E Medrosos – estando as polaridades sempre a se revezar.

Nesse sentido, perceba que não precisamos SER uma coisa OU outra. Somos todos parecidos, respeitando a relatividade das nossas diferenças e circunstâncias. A exemplo, se você mora numa metrópole e detém o conhecimento tecnológico, é provável que se entrar em contato com um humilde agricultor, ele não saiba operar o seu avançado celular. Nesse momento, você pode concebê-lo como ignorante, mas, se ele lhe entregar uma enxada e pedir para você plantar, provavelmente a ignorância mudará de lugar. Ou seja, cada um tem a sabedoria e ignorância que lhe convém.

Sócrates, um sábio filósofo, já dizia: “Quanto mais sei, só sei, que nada sei”. Não que ele soubesse pouco, mas compreendia que o conhecimento absoluto é inalcançável. Logo, somos todos falhos, incompletos e vulneráveis. Posto isto, compreender-se simplesmente humano, nem melhor, nem pior do ninguém, evita um dos grandes males dos nossos atuais sofrimentos, que é o espelhamento. Uma vez que estamos sempre a nos espelhar em alguém (comparar).

Por isso, é que CORRE O RISCO de irmos a academia e nos sentirmos frustrados ao observar corpos sarados. Ou de nos sentirmos impotentes, ao vermos casais hipoteticamente bem relacionados. Ou de surgir um sentimento de incapacidade ao nos depararmos com pessoas bem sucedidas financeiramente ou mais inteligentes etc. Porém, em algum momento, você já parou para pensar se a pessoa com um corpo escultural está igualmente satisfeita com as suas finanças e os seus relacionamentos? Será que o empresário bem sucedido está feliz com o seu corpo e afeto? Ou será que o casal “nota 10” está em dia com as suas contas e a saúde? Enfim, enquanto nos compararmos somente aos PONTOS FORTES da vida de alguém, iremos nos sentir FRACOS, pois passamos a viver de PARTES e não da REALIDADE do TODO.

Uma vez que compreendermos a flexibilidade e a vulnerabilidade da vida humana, saberemos lidar melhor com a nossa “Inteligência Emocional”, que horas pode se mostrar forte, horas frágil, não havendo mal nenhum nisso. Mesmo porque, se esconder por detrás de uma aparente força descomunal, pode desenvolver em nós uma “Inteligência Artificial”, cuja sustentabilidade fica comprometida. Acredito que, inteligente mesmo é quem se permite viver a emoção de forma plena sem se preocupar com que os outros vão pensar. Sorrir quando tiver que sorrir e chorar quando tiver que chorar. Não devemos sentir vergonha ou seguir padrões, apenas nos conhecermos melhor para lapidarmos nossas REAÇÕES.

Há quem diga para quem sofre: “Seja forte” ou “Larga de ser mole”. Outros desdenham: “Isso é besteira” ou intitulam tal sofrimento como tempestade em copo d´água. “Afinal, existem dores piores”. Entretanto, não devemos pormenorizar ou menosprezar a dor dos outros, pois a dor é um sentimento que independe da razão. Como no caso da depressão, que nem sempre está atrelada a uma causa aparente. Logo, a dor é uma manifestação que deve ser respeitada sob o viés da subjetividade humana. Só quem sente, sabe pelo que está passando, não nos cabendo o julgamento, nem a comparação com terceiros.

Muitas pessoas sofrem em silêncio, por temerem o julgamento e a incompreensão alheia. Até mesmo porque, às vezes, nem elas mesmas se compreendem ou se aceitam na dor, pois “alguém” um dia lhes falou que nascemos para a felicidade e o amor. Por isso, aprendemos a ter vergonha de chorar, por associarmos choro a fraqueza e a tristeza. Como se as lágrimas fossem sinônimo de derrota ou inadequação. No entanto, quem nunca chorou por um gesto de amor ou de felicidade após uma conquista?

Em vez de nos questionarmos sobre o que sentimos, deveríamos compreender que, viver o amor, assim como a dor e o luto, faz parte da natureza humana e do nosso processo evolutivo. Vivemos em um mundo de Ganhos e Perdas, em que alegrias e tristezas vão se revezar a todo momento. Segundo Lacan, “somos seres desejantes destinados a incompletude, e é isso que nos faz caminhar”. Ou seja, vivemos em prol do que nos falta, porque se já tivéssemos tudo, a vida perderia o sentido. Nesse sentido, a inquietude e a insatisfação são peças fundamentais para nos mantermos vivos e sempre em busca de novos objetivos.

Porém, por entendermos erroneamente, que nascemos simplesmente, para a felicidade plena, é que nos sentimos pássaros fora do ninho, por não nos enquadrarmos a essa falsa realidade. Logo, o problema não é SOFRERMOS pelo que não temos ou por quem ainda não somos, mas DESEJARMOS e IDEALIZARMOS o inalcançável (plenitude). Por isso, compreenda, que o primeiro passo para conquistarmos a nossa inteligência emocional, é elevarmos o nosso nível de consciência, para evitarmos sentimentos tóxicos associados a falsas expectativas.

Ironicamente, se somos pobres, vivemos de “faltas”, mas se somos ricos, vivemos para o que nos falta também. E não me refiro aqui, somente a luta capitalista pelo TER, uma vez que esse sentimento de vazio também está presente na busca do SER, pois comumente não estamos satisfeitos com o que TEMOS e/ou com quem SOMOS. Isso ocorre, como já mencionei, por querermos Ser, Ter e Viver, a realidade dos outros. Sendo que estes outros, são os nossos desejados e idolatrados pseudo-heróis, representados atualmente, nos papéis de Gurus, Ídolos, Mentores e, tantos outros, que vendem a controversa imagem de vida fácil e felicidade plena.

Não quero aqui, negar algumas realidades ou as possibilidades de dias melhores. Porém, entenda, que para você ser feliz, não precisa NECESSARIAMENTE transformar a vida de ninguém, salvar o mundo ou ser conhecido e reconhecido como FODA. Podemos e devemos ser felizes de diversas formas, dentre elas, parando de nos espelhar, desejar e comparar aos outros. Pois essa onda de modelar perfis de sucesso, faz com que existam FAKES DEMAIS e pessoas REAIS de MENOS. Ande na contramão dos modismos, porque o que nos constituem SERES ÚNICOS, são as nossas DIFERENÇAS. Por isso, não perca a sua identidade, personalidade e essência, sem perceber a diferença entre QUEM É VOCÊ e o que DIZEM que VOCÊ DEVER SER.

Por fim, reflita e compreenda que toda felicidade deve começar de dentro para fora. Logo, amadureça, para não se tornar um adulto infantilizado que ainda acredita na “Liga da Justiça”, cujo heróis virão lhe salvar. Não transfira ou entregue a responsabilidade das suas conquistas nas mãos de ninguém. Seja protagonista ou coadjuvante, mas seja você. Se permita transitar por todas as emoções. Você não pode controlar o que está sentindo, mas pode escolher o que fazer com seu sentimento. Só não estacione na dor ou na alegria, para evitar a instalação da depressão ou euforia.

Equilíbrio, não é um estado de constância sem oscilação, o nome disso é engessamento e medo de viver a vida. Equilíbrio é VOCÊ se PERMITIR VIVER todo e qualquer SENTIMENTO sem se VITIMIZAR ou VANGLORIAR, apenas deixando FLUIR a sua condição de EXISTIR.

O maior desafio da evolução humana

por Márcio Vaz
palestrante, psicólogo e coach

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“Saiba que são suas decisões e não suas condições que determinam seu destino”. Tony Robbins

Durante muito tempo em minha vida, estive inativo profissionalmente, pois, após um acidente que me deixou tetraplégico, assumi temporariamente a condição de inválido. Foram exatamente 10 ANOS parado, sem acreditar que uma pessoa que só mexesse a cabeça pudesse agregar valor no mercado de trabalho.

Nesse período, adotei um discurso de TEMPO PERDIDO, em que me doía reconhecer que “demorei tempo demais” para voltar à ativa. No entanto, eu mal sabia, que algo novo iria se revelar, onde eu aprenderia que, nada é por acaso e nenhum mal perdura para sempre. Logo, todos nós temos TEMPOS DIFERENTES para MATURAR as LIÇÕES que as nossas DIFICULDADES tendem a nos apresentar.

Portanto, compreenda que, a sua relação com o tempo e o arrependimento, converge em três máximas: “nunca é tarde para recomeçar”, “antes tarde do que nunca”, porém, “quanto antes melhor”. Por isso que lhe escrevo na intenção de promover a reflexão e o autoconhecimento. Pois acredito, que só quem conhece a si mesmo, retira melhor proveito das circunstâncias, do tempo e dos relacionamentos.

Destaco aqui dois aspectos que se tornaram fundamentais para que o meu retorno ao mercado fosse promissor:

1. O primeiro ganho que tive foi INTRAPESSOAL – através do autoconhecimento que adquiri no contato com a dor. Pois, embora nós não precisemos sofrer para aprender, infelizmente ou felizmente é na dificuldade que nos tornamos mais introspectivos, entrando em contato consigo mesmo. Ou seja, ao enfrentarmos dificuldades, somos mais reflexivos e questionadores dos porquês, “paraquês” e o que fazer diante das circunstâncias que nos desafiam? Passamos a ter mais contato com as nossas forças e fraquezas, além de observar mais as oportunidades e as ameaças que a vida nos apresenta. Até mesmo porque, vivemos em um mundo de ganhos e perdas em que alegrias e tristezas revezam-se a todo momento.

2. O segundo ganho que tive foi INTERPESSOAL – ao entrar em contato com o âmbito espiritual. Pois, apesar de prolongada estagnação profissional, desde cedo estive engajado ativamente, com o aprendizado que a religiosidade me trouxe através de uma reforma íntima. Isto é, aperfeiçoei-me espiritualmente, me preparando teoricamente para os desafios que as relações interpessoais nos apresentam na prática. Afinal, o contato com o outro, seja em casa ou no trabalho, não é uma tarefa fácil, uma vez que nos convida a trabalhar algumas virtudes e habilidades como: indulgência (se colocar no lugar do outro, não exigindo perfeição, uma vez que se compreende na condição de imperfeito), paciência, tolerância, respeito, compreensão, perdão, comunicação assertiva, escuta atenta etc.

Enfim – Somos Seres de Relações – são das interações que surgem todos os aprendizados. Motivo pelo qual é tão difícil conviver com o próximo, porque existe um abismo entre teoria e prática, ou seja, entre o que sabemos e o que fazemos. Não sendo fácil fazer essa transição, pois são nas relações que somos colocados a PROVA. Somos apresentados a TEORIA Cristã e a EFETIVAMOS no contato com os outros. Sem a EXPERIÊNCIA da CONVIVÊNCIA não teríamos como APRENDER a perdoar, amar, ser indulgente, paciente, tolerante, caridoso etc. Ciente disso, tenha muito cuidado ao pedir a Deus mais Paciência, pois Ele irá lhe enviar pessoas difíceis; ou ao pedir Resiliência, porque Ele irá lhe encaminhar Adversidades etc.

Por isso, gosto da analogia que compara a nossa passagem espiritual na terra, com uma escola, cujo intuito é o APRENDIZADO para EVOLUIRMOS intelectualmente e espiritualmente, concomitantemente. Desse modo, as provas aplicadas nas escolas são a “comprovação” prática de que se “aprendeu”, em partes, a teoria apresentada. Da mesma forma, as dificuldades relacionais que ocorrem ao longo da vida, servem como teste do nosso aprendizado e crescimento espiritual. Isto é, na escola aprendemos uma LIÇÃO para fazer uma PROVA, já na vida real passamos por diversas PROVAS para aprendermos algumas LIÇÕES.

Apesar de estarmos sempre a orar por dias incríveis, nem só de tranquilidade deve viver o “homem”, pois acredito piamente na frase que diz: “Mar calmo nunca fez bom marinheiro”. O que não quer dizer que devamos buscar tempestades, mas sim, enfrentar as adversidades que não pudermos evitar. Logo, uma vida PLENA é como um Filme que se assiste sem Ação, Drama ou Suspense. Na metade, ou você dorme, ou desiste. Nesse sentido, não se apegue ao que é cômodo por ser mais seguro e confortável, DESAFIE-SE ajustando suas velas rumo ao seu verdadeiro propósito de vida. Até porque, a vida é muito curta para ser desperdiçada.

Reflita, uma vida monótona com ausência de PROVAS nos PRIVARIA o APRENDIZADO necessário para a nossa EVOLUÇÃO. Logo, se você tem fé, abrace as dificuldades e supere-as. Pois na vida, nada vem de graça, sempre haverá um preço a pagar. Eu não tenho dúvidas de que quanto mais aprendo, mais me sinto preparado para enfrentar novos desafios. Por isso, prepare-se, porque a crise, aparece para todos, mas os mais capacitados serão menos prejudicados.

Continue firme e mantenha-se paciente e resiliente, pois entre a plantação e a colheita, existe o tempo necessário para germinar. Um dia perceberemos que muitos dos nossos tormentos, serão as histórias de superação que mais teremos orgulho de contar.

Tudo depende de como você encara um desafio. Com o olhar de Solução ou Problema? Vitória ou Derrota? Aprendizado ou Martírio? Etapa a ser vencida ou Obstáculo intransponível? Seja um otimista, sem negar a dificuldade, mas pense sempre positivo acreditando na sua capacidade.

A visão de um cadeirante no Estádio Presidente Vargas – Fortaleza (CE)

Existe o Decreto nº 12.916, de 1999, do estado do Ceará, que dispõe sobre as normas de adaptação de prédios de uso público, a fim de assegurar o acesso adequado às pessoas com deficiência. O Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza (CE), de responsabilidade da Prefeitura Municipal de Fortaleza, deveria estar dentro das normas estabelecidas por este Decreto, mas o vídeo, feito por um membro do Laboratório de Inclusão da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social, demonstra a falta de acessibilidade para o público com deficiência. Precisamos cobrar o cumprimento da Lei para dar continuidade às políticas públicas de inclusão de pessoas com deficiência, e os órgãos públicos devem dar o bom exemplo.

É preciso ampliarmos nossos conceitos acerca da inclusão. Ter acessibilidade não é simplesmente ter uma rampa ou um local reservado para pessoas com mobilidade reduzida. A acessibilidade também passa por questões práticas, funcionais e cotidianas. Um estádio ter um local reservado para cadeirantes, mas sem que esse local tenha uma visão adequada do campo ou um espaço apropriado para a locomoção com a cadeira de rodas, isso não é ser acessível. Os órgãos públicos, acima de todas as instituições, devem ser os precursores de um espaço de fato público, efetivamente acessível para todos, validando, assim, nosso espírito democrático e social.