Assistencialismo não é empregabilidade

Existe uma diferença muito grande entre assistencialismo e geração de emprego e renda para pessoas com deficiência. Na primeira, a pessoa ainda não se encontra no nível de empregabilidade devido à dependência acentuada e à impossibilidade de desempenhar atividades profissionais. Na segunda, a qualidade das atividades desenvolvidas vão ser exigidas, transformando a deficiência apenas em uma característica, onde o limite é a própria superação.

A inclusão social de pessoas com deficiência pode ser dividida em dois níveis: por participação, quando o nível da deficiência impede a realização de atividades profissionais; e por trabalho, quando a deficiência não impossibilita a realização destas atividades. A inclusão por participação, que leva ao assistencialismo, requer um novo modelo de sociedade para que seja realizada com eficiência.

É necessário um outro patamar de consciência humana capaz de anular as práticas do preconceito para entender que, mesmo impossibilitada ao trabalho, a pessoa tem o direito de participar de sua existência com dignidade, através do lazer, cultura, esporte ou qualquer outra atividade possível. O preconceito ainda é o maior vilão da inclusão de pessoas com deficiência. Ele segue sobrevivendo e se multiplicando, se opondo a uma sociedade livre e solidária, onde todas as pessoas devem ser bem tratadas, independente de suas diferenças.

Ultrapassar o nível de assistencialismo requer um crescimento pessoal. Um processo constante de capacitação, rompendo barreiras, conquistando autonomia, tornando a deficiência apenas um detalhe. Este processo não é fácil, mas necessário para a evolução profissional. O nível de empregabilidade amplia a competência de enfrentar o mercado, promovendo uma abertura maior nos postos de trabalho, principalmente em funções técnicas.

O processo de capacitação e evolução profissional de pessoas com deficiência envolve, desde a escola formal, cursos de profissionalização e universidades, ao exercício de uma sociedade inclusiva, onde o convívio com a diversidade humana seja considerado normal. O entendimento da diferença entre assistencialismo e empregabilidade reforça a ideia de uma inclusão espontânea, fruto da responsabilidade social da empresa e da consciência do profissional com deficiência.

Confundir assistencialismo com empregabilidade, nível de participação com nível de trabalho, é atrasar ainda mais o desenvolvimento das políticas públicas de geração de emprego e renda para pessoas com deficiência. É preciso extinguir a falsa ideia de que essas pessoas com nível de empregabilidade são inferiores ou incapazes. No trabalho, a dedicação, o nível de iniciativa e interesse e a qualificação profissional são fatores essenciais para qualquer trabalhador, independe de ser ou não deficiente.

Vídeo, produzido pelo Grupo de Acessibilidade, mostra depoimentos de pessoas que foram incluídas pelo Laboratório de Inclusão, através da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS):

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